terça-feira, 24 de junho de 2008

"O SEXO E A CIDADE"


Fui, recentemente, à ante-estreia do filme "O Sexo e a Cidade!".
Foi uma série que marcou uma fase da minha vida e que sempre apreciei.

Sabendo, logicamente, efectuar o distanciamento afectivo da série e conseguindo separar o que é realidade da idealização, até porque já vivi nos EUA, sempre apreciei o espírito de humor, o sentido crítico, a sagacidade, a capacidade de análise, a sensualidade e a mordacidade com que a série foi sendo construída.

Até porque aborda uma das minhas áreas de trabalho...precisamente a Sexualidade e os Afectos.
Tinha, todavia, algum receio sobre a construcção do filme.
Mas conseguiu ser uma muito agradável surpresa.
A um ritmo louco de beleza, sensualidade, modernidade e humor, o filme vai-se desenrolando, entretendo os espectadores e proporcionando momentos de inteligência e de brilho únicos.

Extraordinário o pormenor do Yorkshire anão...
Um filme que recomendo vivamente e a rever...

NOITE DE S.JOÃO


Estas noites dos Santos Populares são sempre estranhas.
Saem todos à rua, aparentemente imbuídos de uma suposta alegria e algum desvario que, por vezes, me intriga.
São as brincadeiras, as marchas, uma suposta euforia estranha.
Cada vez mais prefiro programas mais calmos, mas também mais realistas, mais de Afectos.
A teoria oficial do sorriso de plástico não me seduz.
Fui, logicamente, sair, não para cumprir calendário mas porque me apetecia.
Optei por um jantar à beira mar calmo, num restaurante bonito e agradável, tranquilo e bem acompanhado.
A conversa fluiu, o menu era excelente e esteve-se muito bem.
A seguir foi um momento de agradável estar a dois.
Depois, claro, impunha-se ir beber um copo.
A um dos sítios habituais.
Nova sensação estranha...
Uma noção de plástico e superficialidade que não me agradou.
Foi, de novo, um fim de noite que deixou no ar uma sensação de insatisfação...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS"-39ª emissão


Dentro de uma hora e meia, mais especificamente à 1 hora, irá para o ar mais uma emissão do "Sexualidades, Afectos e Máscaras", a 39ª, na Porto Canal.
Desta vez será dedicada ao tema "Sexualidade e Gravidez".
A gravidez...um mito sócio-cultural, um aparente condicionante no comportamento sexual do casal, espeficamente numa fase em que a mulher se sente mais sensível, mais sensual e se situa num grau de maior sensibilidade aos estímulos sexuais.
Assista e participe no único programa que, em televisão, em Portugal, aborda em directo as questões das Sexualidades e dos Afectos, sem pudores nem tabus, de forma informal mas científica e, acima de tudo, pedagógica.
Apareça.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS"


Impõe-se fazer aqui um comentário acerca da última emissão do "Sexualidades, Afectos e Máscaras".
E não me venham já dizer que eu, enquanto parte interessada, não consigo ter imparcialidade para emitir pareceres em causa própria.
Se bem se lembram, de início eu fui dos meus mais ferozes críticos, tendo aqui enunciado pormenores e questões de que ninguém se lembraria.
Cheguei a invectivar-me sobre o meu posicionamento de mãos e mesmo sobre os olhares que dirigia para as câmaras, tendo sido acusado de ser demasiado exigente comigo próprio.
Assim sendo, penso ter algum direito de efectuar uma análise imparcial e credível.
Na realidade considero que o "SAM" atingiu um nível de qualidade invulgar.
Falo de um programa que é feito em directo desde Setembro de 2007.
Fazer um programa televisivo durante quase um ano, em directo, é muito desgastante e exigente.
E que aborda temas fracturantes para a sociedade, sem inibições, sem subterfúgios.
Falo de um programa que, rapidamente, conseguiu tornar-se líder de audiências e assim se tem vindo a manter, inabalavelmente.
E nós sentimo-lo, quanto mais não seja, nas manifestações de encorajamento e nos elogios que, diariamente, recebemos na rua, de anónimos que não só fazem questão de dar os parabéns como ainda vão ao ponto de citar momentos e episódios da emissão anterior, prova provada de que não são portadores de elogio fácil e balofo, mas atentos espectadores.
Atingir, ao fim de um ano, os 60.000 televisores sintonizados no nosso programa é a prova mais concludente possível.
Acima de tudo o facto de, na emissão da semana passada, termos atingido o número recorde de 54 telefonemas e 10 sms deixa-nos tranquilos e felizes acerca das metas que temos vindo a atingir sucessivamente.
Ficamos com a noção do dever cumprido mas, acima de tudo, ficamos com a sensação de o termos conseguido com muita qualidade.
Mas serve também de estímulo, porque as coisas vão continuar e as metas que nos propomos vão sendo actualizadas semanalmente. Cada meta que conseguimos vencer faz nascer uma outra, mais recente, mais difícil, mais exigente.
Até às férias o "Sexualidades, Afectos e Máscaras" trará algumas surpresas, com especial incidência para a emissão de 11 de Julho próximo e, obviamente, para a última emissão desta série que irá para o ar no dia 18 de Julho.
Mas não é fácil falar em televisão, em directo, em Portugal, em 2008, de Sexualidades e, acima de tudo, de Afectos que são aquilo que de mais íntimo temos. Ainda por cima neste novo horário, demasiado tardio e de difícil execução.
Há que referir, ainda, o nível de empatia, a dinâmica e o tipo de identidade de funcionamento que a Maria Jose e eu conseguimos atingir em termos profissionais.
Na realidade é para nós um enorme prazer trabalharmos em conjunto e, acima de tudo, fazermos o que fazemos, em tv e da forma como o fazemos.
As viagens de regresso a casa sao inconfessáveis.
O frenesim é demasiado.
Realçamos pormenores, reproduzimos "gags", salientamos argumentos, sorrimos com pequenas questões e vamos já a preparar a próxima emissão.
Sim porque fazer semanalmente o SAM obriga a um extraordinário trabalho de bastidores, mútuo.
A cerca de um mês de parar com as emissões creio que estamos de parabéns...mas as possibilidades de evolução são, ainda, muitas.
A ver vamos...

Ode a ti


Fecho os olhos para te ver...
Primeiro,
o Olhar,
profundo,
meigo,
Tranquilo.
Olhar que fala sem se ouvir,
causando ruído no silêncio da noite.
Fecho os olhos para te ver...
Depois,
o Sorriso,
aberto,
bonito,
solto,
sorridente de alegria.
Fecho os olhos para te ver...
Depois,
as Mãos,
quentes,
suaves,
fortes,
musicais,
detalhadas,
companhia para um toque,
uma melodia,
a dois.
Fecho os olhos para te ver...
Depois,
o Corpo,
a pele,
o teu cheiro,
o sabor a ti.
Fecho os olhos para te ver...
Depois,
todo.
Um todo querido
Um todo teu.
Um todo meu.
Abro os olhos para te ver...
Mas não te vejo!

domingo, 15 de junho de 2008

MUDA ALGO?


Muda algo quando uma pessoa se apaixona?
Refiro-me à interacção com o exterior, com o meio ambiente, com o ecossistema.
“Nada!”, dirão os cépticos...
“Absolutamente nada!”, acrescentarão os radicais...
Muda muito, muda tudo, digo eu.
Senão vejamos...
Subitamente o tempo que estava nebuloso, adquire uma claridade única, radiosa, musical, com cambiantes e tonalidades dignos de uma obra de arte.
O pássaro que todas as manhãs incomodava, invariavelmente com o mesmo grasnar, inevitavelmente à mesma hora, transmuta-se num fabuloso canário, detentor das mais belas penas, um quase arco-íris e capaz de chilreios paradisíacos. Passa a ser um belo confidente, testemunha viva de um processo que se pretende que avance com afecto, assertividade, capacidade de investimento e boa disposição.
Aquela aresta assassina de uma determinada mesa onde, todas as manhãs se bate com o dedo mínimo do pé, gerando uma explosão de vernáculo, dor e lágrimas, transforma-se num original fragmento de design e aprende-se a evitá-lo, com alegria e satisfação, principalmente por ergonomia da dor.
Quando, de manhã, a água quente para o duche falta, por uma qualquer falha do sistema o que constituiria um infindável e pesado processo de irritação, acaba por gerar uma gargalhada e, por vezes, uma reflexão sobre os benefícios para a saúde do uso de água fria no banho matinal...nos mais afoitos chega a ser o momento alfa que despoleta a decisão inabalável de nunca mais voltar a inebriar-se com os vapores de um banho quase turco e turvo que, de deliciosos, se transformam em nefastos.
Se faltam os iogurtes, o leite ou o pão para o pequeno almoço, incómodo que, ao acordar, assume proporções dantescas, acaba por ser motivo para uma re-engenharia de comportamentos no sentido de arquitectar uma outra solução que pode, inclusive, passar por um chá de que jamais se gostou ou até por aquelas bolachas integrais que, num momento de desvario, cedendo às manobras maquiavélicas do consumismo, se tinham adquirido numa grande superfície e até então se encontravam atiradas, abandonadas para um canto da despensa, antecâmara do lixo.
O acto de vestir, de tão maquinal, adquire outras tonalidades, gerando prazer e uma nova capacidade, anteriormente desconhecida, de gestão das peças no armário e o resultado final, até então maquinalmente considerado desastroso, passa a ser recebido com um sorriso de satisfação, orgulho e vaidade.
O vizinho rabugento que todas as manhãs teima em não cumprimentar acaba por ser objecto de desculpabilização, alvo de atenção e compreensão, tornando-se quase simpático, vítima, talvez, de uma qualquer maleita que incomoda, inibe, indispõe e justifica.
Se a empregada da limpeza do prédio teima em deixar o tapete da entrada torto ou fora do sítio, passa a ser encarada como saborosamente pitoresca.
E, de repente, sai-se para a rua.
Aqui sim, verifica-se a grande, a enorme mudança.
A cidade de cinzenta, feia e velha adquire novas tonalidades e arquitecturais edifícios, detentores de deliciosos pormenores nunca antes vistos, apercebidos e saboreados.
Os rostos da multidão, frios e inexpressivos, autênticos autómatos que, todos os dias, como um ritual automático, se entrecruzavam, passam a gerar interesse, tornam-se simpáticos, peças de um cenário de poesia matinal.
A lata de refrigerante que ficou atirada para o passeio, numa atitude selvática de desleixo e desinteresse, passa a ser oportunidade para um acto ecológico, contribuinte activo para a felicidade e a qualidade da vida ambiental.
Os incontornáveis desperdícios intestinais do cão da vizinha da frente, deixados, indecorosamente, ao abandono no meio do passeio, adquirem requintes de humor.
A longa, fastidiosa, torturante viagem para o emprego, eternamente geradora de encontrões e atropelos anónimos e selváticos exibe, agora, cambiantes de roteiro mágico.
Passa-se a olhar para as características da realidade exterior, de um outro prisma, com uma nova capacidade de desfrute, com mais prazer, de forma quase poética.
O emprego, aquele sinistro antro para onde, todas as manhãs se arrastava, dolente, vociferando por nada e tudo, passa a ser um local atraente, com novas potencialidades e características, nunca detectadas, detalhes até então invisíveis.
Até o chefe se torna simpático e sorridente, bom conselheiro...
E quando o olhar pousa no rosto amado?
Aí atinge-se o verdadeiro clímax!
Ouve-se música celestial, tocam címbalos, harpas e trompetes, violinos de som cristalino, melodia de um Afecto que agrada, estimula, inebria, apaixona, delícia...
O objecto da paixão, enquanto entidade una e global, adquire voluptuosas formas, doce postura.
Uma borbulha testemunha de um qualquer ataque tardio de acne adquire graça, doçura, musicalidade.
E o sorriso?...Cristalino, obra prima.
E o olhar?...Profundidade, significante e significado nunca até então vistos porque, agora, se tornou querido.
E o toque?...O cúmulo do prazer.
Até o cheiro se torna mágico.
O que muda, então, por alguém se apaixonar?
Tão só e apenas...Tudo!
Manuel Damas in "O Primeiro de Janeiro" a 15-6-08

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS"-38ª emissão


Hoje irá para o ar à 1 hora, na Porto Canal, mais uma emissão do programa televisivo "Sexualidades, Afectos e Máscaras", desta vez dedicado ao tema do Assédio Sexual no local de trabalho.
Quantos gritos calados, quanta injustiça não falada mas sofrida, quanto violação cometida e que é oficialmente ignorada.
Apareça e contribua com a sua opinião neste que é o único programa, em televisão, em Portugal que, em directo, aborda temas fracturantes da Sociedade, relacionados com o que de mais íntimo existe, as Sexualidades e Afectos.
Penso que será mais uma excelente emissão.