terça-feira, 6 de outubro de 2009

"PRESS RELEASE" DO SIPE



Educação Sexual – Entrevista a Manuel Damas, Médico, Professor Universitário e Sexólogo, Formador do SIPE na área da Educação Sexual.


1. Mesmo sem conhecermos ainda o programa a adoptar pelas escolas portuguesas no âmbito da Educação Sexual, há Professores que já receberam formação nesse sentido.
Assim sendo, até que ponto é que os Professores que já receberam formação estarão realmente preparados para aplicar um programa que ainda desconhecem?

Há muitos Professores que, ao longo do tempo, foram recebendo formação na área da Educação Sexual.
Há, inclusive, muitas instituições com responsabilidade no âmbito formativo que, desde cedo, se preocuparam com a formação da população docente, especificamente na área da Educação Sexual.
Entre estas não poderei deixar de referir a APF que já tem longo e credível historial neste tipo de formação.
Mas também nós, aqui no SIPE, através do seu Centro de Formação, disponibilizámos aos nossos Associados, Cursos de Formação creditados, na área da Educação Sexual. Mas isto foi feito porque sabemos que esta é uma temática que se direcciona para algo de tão específico, sensível e próprio, como é a área das Sexualidades e dos Afectos. Foi, sempre, nossa preocupação “major” a vertente da Educação Sexual que, cremos, por acto de maturidade e, acima de tudo, de cidadania, acabará, mais tarde ou mais cedo, por se impor na Sociedade.
Respondendo mais directamente à sua pergunta, os Docentes que receberam formação na área da Educação Sexual adquiriram competências vastas que os tornam aptos a leccionar estas matérias tão sensíveis.
Acima de tudo estão preparados e disponíveis para ensinar a universalidade do Direito à Felicidade.
Como tal, a título de conclusão, depois de anos a tentarem descredibilizar a Docência em Portugal, eu quero afirmar, sem tibiezas, que confio na qualidade da maioria dos nossos Docentes, independentemente das condições tantas vezes complicadas em que têm vindo a exercer a sua nobre profissão.
Quero mesmo afirmar que, enquanto docente, tenho orgulho na classe a que pertenço.

2. O programa para a Educação Sexual será adaptado à medida das diferentes idades dos alunos. Contudo, em idades jovens, muitas crianças da mesma idade desenvolvem-se a ritmos diferentes. Pode correr-se o risco de estar a ensinar às crianças um programa desajustado face à sua maturidade?

O Programa de Educação Sexual terá que ser, logicamente, direccionado para cada uma das faixas etárias a que se destina. Ninguém se poderá atrever, por exemplo, a ensinar métodos anticoncepcionais a crianças do ensino básico, apenas para dar um exemplo.
No entanto não se esqueça que navegamos, neste momento, totalmente no escuro. O Ministério da Educação lançou a nova lei da Educação Sexual nas Escolas, em Agosto e, desde então, falta toda a regulamentação que a vai sustentar.
Isto tudo para dizer que não se sabem bem, ainda, quais os itens programáticos específicos a abordar.
Há quatro anos elaborei e publiquei num jornal diário português com quem colaborava na altura, um detalhado programa de Educação Sexual. Este tinha um tronco comum, um esqueleto, um fio condutor, sobre Educação Sexual que, depois e de forma lógica, tinha ramificações programáticas diversas, adequadas às diferentes faixas etárias e aos diferentes graus de ensino a que se destinariam. Foi um trabalho complicado e complexo, em que gastei/ganhei muitas horas de reflexão, mas está tudo pronto. Falta, logicamente, a vontade politica para o aplicar no terreno, em concreto.
Eu trabalho em Sexologia há vinte anos.
Já fiz investigação clínica em países tão diferentes como os EUA, a França e a Espanha.
Que me seja dado o benefício da dúvida de que manuseio com alguma facilidade e, porque estou no terreno, as idiossincrasias das Sexualidades.
Não podemos continuar a usar argumentos grotescos.
O programa de Sexualidades está feito.
Há docentes com formação pós.graduada na área, de forma criteriosa e credível.
Falta, apenas e tão só, coragem e vontade politicas.
E causa revolta o facto de ter havido, recentemente, um Governo com maioria absoluta na Assembleia da República e que nada fez, em concreto, pela Educação Sexual, para além de um trajecto titubeante e aos ziguezagues, denotando falta de ideias, de conceitos e, acima de tudo, de vontade.
Regressando à sua questão, evidentemente que as turmas não são homogéneas quer em termos de conhecimentos quer mesmo em termos de desenvolvimento. Mas isso é um realidade indubitável, que tanto acontece na Matemática, como no Inglês, como na Educação Física...e tal facto gere-se!
A arte da Docência está, também, em saber aproveitar esse polimorfismo, não apenas de evolução, mas também social e cultural, com o intuito de produzir um trabalho profícuo.
E, para isso mesmo, estão os nossos docentes, de qualquer grau de ensino, preparados e habilitados. São profissionais, na grande maioria, com vasta experiência no acto de informar/formar e estão traquejados na forma ergonómica de gestão destas especificidades.
Não será, na realidade, por esse motivo, que a Educação Sexual não irá em frente ou que o fará de forma disfuncional. Esse é mais um argumento falacioso, que não colhe. E os meus colegas docentes sabem perfeitamente do que estou a falar.
Digo-lhe mesmo...sou docente universitário há 20 anos e nunca encontrei uma turma homogénea, nem o queria, sequer. Seria uma monotonia.
É este leque de experiências, de velocidades, de origens, de maneiras de ser e de estar, que enriquecem o acto de ensinar, tornando-o um desafio compensador.

3. Até à data, todos ‘vivemos’ numa escola sem Educação Sexual, tendo aprendido sobre o tema com recurso às mais variadas fontes. Hoje, num mundo globalizado e ‘ligado à Internet’, os jovens têm acesso facilitado à informação, mas estão também expostos a todos os perigos que a Internet comporta.

Neste sentido, qual o papel da escola na gestão dos vastos conteúdos de informação a que os jovens de hoje têm acesso? O que é que a educação sexual poderá ensinar aos jovens que eles ainda não saibam?

Vivemos, sem dúvida, numa aldeia global em que a informação se encontra à distância de uma tecla.
Todavia estamos, também, numa era de excesso de informação, nem sempre correcta ou, muitas vezes, disponibilizada de forma incorrecta e não pedagógica.
O difícil é, precisamente, conseguir efectuar a destrinça entre a verdade e a inverdade.
Também no domínio da Educação Sexual tal facto se verifica.
Assim sendo compete à Escola desmistificar mitos e desconstruir estereótipos, denunciando as mensagens e as informações erradas.
Na realidade os jovens têm, já, alguma informação mas, muitas vezes, mal gerida, incorrectamente disponibilizada e muitas vezes erroneamente direccionada. A informação quando errada pode ter um enorme efeito pernicioso, pelos mitos que “vende”, de forma desenfreada. E isso verifica-se em questões complicadas e sensíveis como, por exemplo nas questões da orientação sexual e da identidade de género onde, maioritariamente e sem se aperceberem, os jovens são, demasiadas vezes, condicionados e direccionados na sua interpretação, integração e aceitação dos factos.
O Marketing e a Publicidade ainda hoje propagam e rapidamente difundem, mensagem erradas. A título de exemplo levanto a questão das dimensões penianas. A mensagem oficial continua a ser que as dimensões do pénis são garante de prazer e de primordial importância na constituição e na solidez de uma relação afectiva. O que é uma enorme inverdade, para não dizer, de forma absoluta, uma mentira. Repare, para que interessa um pénis grande, numa relação heterossexual, por exemplo, se apenas o terço externo da vagina é que é enervado e, como tal, só esta ínfima zona é geradora de prazer? Qualquer micro pénis é competente para atingir o terço externo da vagina...
E este é um exemplo, como tantos outros, que urge esclarecer e combater. E isso faz-se com a implementação da Educação Sexual, de forma sustentada e credível, no terreno. Dessa forma serão disponibilizadas às crianças, adolescentes e jovens, a informação e a formação correctas.
Não podemos esquecer que é precisamente nestas idades mais jovens que se instalam os mitos e os fantasmas inerentes às Sexualidades e aos Afectos. E são precisamente estes estereótipos que, geridos de forma errada, se vão tornar lapas, agarradas a todos nós e condicionando, para toda a vida, a nossa forma de ver e sentir, a nossa forma de viver e amar, condicionando, erradamente, os nossos Afectos.

4. Que benefícios poderá a sociedade portuguesa colher pelo facto de ter recebido Educação Sexual na escola? Daqui a 20 anos como estará formado, em termos de Educação Sexual, um indivíduo na sociedade portuguesa?

Leccionar Educação Sexual, neste momento, na Escola é um imperativo de justiça social, de dignidade na cidadania, de democracia. É, inclusive, uma questão de dívida com a História.
Não se esqueça que Portugal foi, e isto é raramente referido, um dos primeiros países a assinar, em 2005, a Declaração de Montreal “Saúde Sexual para o milénio”.
E esta mesma declaração mundial compromete-se, no seu ponto 4 “A promover o acesso universal à informação e educação integral da sexualidade”. E este ponto, subscrito por Portugal, vai mesmo mais longe quando afirma “Para obter saúde sexual é fundamental que todas as pessoas, incluindo os jovens, tenham acesso pleno a uma educação integral da sexualidade e à informação, bem como ao acompanhamento da sua saúde sexual durante todo o ciclo vital”.
Repare na hipocrisia da atitude portuguesa ao assinar este documento quando anda, desde 1984, com a Lei nº3/84, a tentar estabelecer uma posição que se quer séria, responsável e digna.
Não podemos, ainda, esquecer que a Lei nº3/84 estipula, especificamente, que “O Estado garante o direito à educação sexual, como componente do direito fundamental à educação.”
Isto em 1984...
Acresce que está perfeitamente provado que um ser humano que receba formação em Sexualidades e Afectos, de forma correcta e credível, pedagógica e reflectida, durante a sua infância, adolescência e juventude, chega à adultícia mais predisposto e capaz para saber amar em plenitude.
É tão simples quanto isto!
5. Já há muitos anos que se fala na implementação da educação sexual nas escolas. No início desta discussão levantava-se a hipótese de não possuirmos uma sociedade mentalmente preparada para abordar o tema.
Esta questão está hoje ultrapassada? Que outros factores explicam o sucessivo adiamento da implementação desta medida?

Neste momento temos uma grande maioria da sociedade sensibilizada e disponível para a implementação da Educação Sexual no sistema educativo.
E isso sente-se, de forma clara, por quem se encontra no terreno.
Sinto-o nas aulas que dou, mas consultas que faço, nas conferências que profiro.
Repare...há três anos que tenho um programa televisivo, na Porto Canal, semanal, com duração de uma hora, em directo.
Chama-se, como sabe, “Sexualidades, Afectos e Máscaras”.
Após três anos de emissões continuamos, orgulhosamente, a ser lideres de audiências, com uma média de 30 a 40 chamadas telefónicas por emissão. E as chamadas telefónicas não provêem, apenas, dos ditos centros urbanos. Recebemos chamadas telefónicas e mensagens de todo o Pais, do continente às ilhas. Isto é, também, prova provada, permita-me o pleonasmo, de que as Sexualidades e os Afectos continuam a ser uma área tabu, de que se fala envergonhadamente, vítimas de um suposto pudor que a Sociedade, a Cultura, a Igreja e a Família, ainda hoje se preocupam em disseminar...mas também prova que as pessoas têm dúvidas e problemas e que precisam e querem ser esclarecidas!
É o peso silencioso daquilo de que não se fala...Parece ser o peso envergonhado de dizer “Amo-te!”, independentemente da faixa etária, do sexo, da raça, das origens sociais e culturais, dos dados estato ponderais, da orientação sexual.
Posso dizer-lhe ainda que, recentemente, eu e outros elementos da sociedade civil, com responsabilidades dispares e com provas dadas de âmbito profissional, nos mais diversos sectores do tecido social, preocupados com este estado de coisas, com esta plasticidade afectiva, com esta propensão para o desamor, com esta atracção suicida para a genitalização dos Afectos e para a desresponsabilização dos actos afectivos decidimos criar uma Associação, a CASA – Centro Avançado de Sexualidades e Afectos. Esta Associação tem como princípios da sua Carta de Intenções:
- A Promoção da Igualdade;
- O combate de todos os actos discriminatórios, especialmente os de género;
- A denúncia de todas as formas de violência, inclusive a sexual;
- O apoio e divulgação de todas as diversas estratégias de vivenciar os Afectos;
- A exigência de uma disciplina de Educação Sexual na Escola;
- A luta pela universalidade do Direito à Felicidade.

Com vê é uma carta de intenções concreta e muito ambiciosa.
Posso dizer-lhe que, apesar de nos estarmos a situar no terreno de forma extremamente cautelosa, temos recebido enormes e consistentes provas de apoio.
Também isto é uma prova de que a população portuguesa está preparada e disponível para a integração da Educação Sexual nos curricula que urge, porque tarda.
E a última prova, para terminar, é que se não se sentisse esta mesma necessidade, este tema há já muito teria saído da agenda dos media.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

TV...


Às 0.30, irá para o ar, na Porto Canal, em directo, com a duração de uma hora, a 88ª emissão, do "Sexualidades, Afectos e Máscaras" com a Maria José Guedes.

Com novo horário, agora 30 minutos mais cedo, mas duração de uma hora, com novo cenário e retemperados pelo descanso das férias é possível começar a nova época com novas energias.
O tema a abordar hoje é "A boca e as sexualidades".
Uma questão polémica...
A boca...
Com a boca ama-se.
Com a boca odeia-se.
Com a boca deseja-se.
Com a boca despreza-se.
Com a boca elogia-se.
Com a boca insulta-se.
Com a boca dá-se o primeiro som ao nascer...
Com a boca dá-se o ultimo suspiro ao morrer.
E é esta a temática que iremos abordar nesta emissão, desta terceira época do SAM-TV!
É um outro tema, diferente, abordado com clareza, de forma informal, mas trabalhado, em estilo tertuliano, com os nossos espectadores.
Porque este é o Mundo do dia a dia, a vida real.
A intenção é, uma vez mais, efectuar uma abordagem com a frontalidade obrigatória que os espectadores exigem e merecem.
A motivação é, acima de tudo, tentar dialogar sobre o tema.
É mais uma janela de oportunidade, para abordar, com especificidades próprias, em contexto televisivo e em directo, questões, na área das Sexualidades e dos Afectos, nomeadamente a nível da intimidade e da afectividade.
Será, novamente, uma sexta-feira passada a correr mas, obviamente, com enorme prazer.
À 1.30 da manhã, quando abandonarmos as instalações da televisão, sairemos cansados mas, acima de tudo, com a noção do dever cumprido e, já, ansiosos pela próxima maratona televisiva...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

RESCALDO DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009

Abstenção - 39,4%


PS - 36,6% - 96 Deputados
PSD - 29,1% - 78 Deputados
CDS/PP - 10,5% - 21 Deputados
BE - 9,9% - 16 Deputados
CDU - 7,9% - 15 Deputados

Eu devo confessar que sempre gostei de política.
Filho e neto de personalidades políticas com algum relevo nacional, desde pequeno que fui integrado no que chamo um "habitat" político.
Nasci no meio de discussões políticas, cresci a ouvir grandes debates políticos mais ou menos localizados uns e alargados outros e atingi a adultícia considerando-me detentor de alguma cultura ideológica.
Lembro-me de, com 12 anos, me ter obrigado a ler o "Mein Kampf" de Adolf Hitler e, de seguida o "Das Kapital", de Karl Marx.
Pelo caminho fui devorando Engels, Hegel e muitos outros, passando por Maquiavel e Platão.
Lia coisas ideologicamente de Direita, com as quais concordava.
Lia coisas ideologicamente de Esquerda, com as quais entrava em consonância.
Escrevi e publiquei, num jornal diário português, o meu primeiro artigo ideológico, precisamente com 12 anos de idade.
"Pronto", dirão...
"Passou-se!"
Não!
De modo algum.
Esta introdução apenas serviu para explicar porque sempre considerei que tinha alguma qualidade e capacidade para fazer análise política.
Perguntarão..."com todo esse suposto arcaboiço porque nunca seguiu uma carreira política"?...
Simples!
Porque sempre achei que tinha uma coluna vertebral demasiado rígida e um conjunto de princípios que não me pemitiam, digamos, "adaptar" ao "diktat" de um qualquer partido político...sempre gostei de pensar e agir pela minha própria cabeça.
Mas regressemos ao fio condutor, como diria Rousseau.
Pois eu não entendo ou devo ser muito burro, alguns dos resultados que estas eleições hoje nos revelaram.
Em primeiro lugar não consigo perceber o elevado valor da abstenção.
Estamos num País em crise.
Saímos de quatro anos de uma governação que, nos mais diversos sectores, foi das mais conflituosas e conturbadas e, mesmo assim, 39,4% dos portugueses, mais de 3 milhões, estiveram a "marimbar-se" para este ano eleitoral?
Quando sabem que destas eleições sairia um Governo e, em consequência, medidas e um programa que irão governar, em princípio, durante quatro anos, Portugal?
"Inconsciência", dirão uns.
"Desinteresse", dirão outros.
Sinceramente preocupa-me este falta de cidadania o que me faz equacionar, de novo, até que ponto não deveria ser motivo de reflexão, à imagem de outros países, a obrigatoriedade de votar...
Mas isso seria outra questão, a recuperar noutro dia que não este.
Regressemos aos resultados eleitorais...
Estive a seguir atentamente todos os debates...
E pasme-se...todos ganharam!!!
Volto-me a questionar...se todos os partidos se apresentaram às eleições com um programa eleitoral e uma proposta de Governo e se apenas um ganhou e , em consequência, todos os outros não ganharam...então não perderam?
Perderam, digo eu, uma vez que todos eram candidatos a formar Governo...
Então porque é que todos dizem que ganharam?
Se um ganhou...os outros perderam...
Bem...
Prossigamos.
Analisemos os discursos de cada um dos partidos principais com representação parlamentar.
O Partido socialista ganhou...
Ok.
Realmente ganhou as eleições, ainda por cima numa conjuntura de crise e com elevada contestação social.
Mas perdeu, porque perdeu a maioria absoluta, perdeu em número de votos e perdeu em número de Deputados eleitos...isto já para não falar no imbróglio em que se meteu...qual será agora a máscara que José Sócrates colocará, para formar Governo?
A de autoritário?
A de dialogante?
Enfim, o tempo o dirá.
O PSD...
O PSD perdeu nitidamente, principalmente porque Manuela Ferreira Leite tem uma má imagem pública, desgastada, envelhecida, enfraquecida e fraquejante.
Porque não tem carisma e porque os cartazes escolhidos eram muito, mas muito maus.
Porque os debates televisivos lhe correram mal e porque nos comícios ela não consegue ser galvanizadora.
Isto já para não falar nos "tiros no pé" que foi dando durante a campanha, com especial ênfase para a deslocação à Madeira...alguém que mantém um discurso anti-corrupção, não se pode deslocar à ilha da Madeira e elogiar o "espírito democrático" que se vive na ilha...
E, convenhamos, o suposto "caso das escutas" não ajudou em nada.
O CDS/PP perdeu porque o seu programa não venceu.
Paulo Portas apresentava-se como candidato ao Governo de Portugal, com um programa eleitoral e não ganhou...
Por isso perdeu.
De qualquer modo conseguiu surpreender com o aumento da votação e consegue, ainda, galvanizar a campanha, nomedamente em determinados contextos, como as feiras e os mercados e junto a determinadas faixas de elite social liberal portuguesa.
O BE foi uma autêntica desilusão.
Com o "élan" trazido das Europeias sempre previ que o BE ficaria num muito cómodo 3º lugar...a correr bem, esperava uma votação de dois dígitos, a rondar os 20%.
Mas a campanha correu mal a Francisco Louçã, inclusive nos debates televisivos.
Louçã esteve tenso, agressivo, mesmo mal vestido, contraditório e, demasiado invasivo, nuns momentos e muito na defensiva, noutros.
E a população começou a descrer do discurso bloquista....
A dada altura Louçã prometia tudo a todos...lembro-me de o ouvir prometer colocar um gerador eléctrico em casa de um cidadão anónimo...
Louçã mostrou-se teórico, utópico, contraditório, fazendo com que a subida da sua votação ficasse muito aquem do esperado.
Creio mesmo que se a campanha se prolongasse por mais duas ou três semanas o resultado do Bloco poderia ainda vir a ser pior.
A questão do PPR de Louçã não ajudou, também.
Quanto à CDU...o discurso não consegue rejuvenescer porque até a própria imagem do lider surge gasta e envelhecida.
Jerónimo está velho e envelhecido, com uma imagem que já não vende, nem cativa.
Mas, até estes, no seu discurso, pelo que se ouve....ganharam!
E pronto...
É esta a análise que faço.
Preocupa-me, muito, agora, como se poderá governar este país, com este quadro parlamentar...desconfiando eu que todos os partidos rezam para que a legislatura só dure dois anos...

domingo, 27 de setembro de 2009

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009


Hoje é o dia de Eleições Legislativas.
É imperativo votar!
Porque é uma decisão que influencia, directamente, a vida dos portugueses.
Porque vai condicionar a vida social, cultural, política, financeira de cada um de nós, para os próximos quatro anos.
Porque é uma decisão com demasiada importância para poder ser deixado a outros o poder de decidir.
Cada português tem a obrigação de assumir a sua escolha e acima de tudo a sua decisão, hoje, sem medos nem hesitações.
Até porque ninguém poderá criticar se não tiver participado no acto da escolha.
Por isso...
Vote!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009

JÁ SE ESQUECEU?????













EU NÃO!!!!!

ELEIÇÕES 2009


Tenho que confessar...
Este ano eleitoral provoca-me expectativas sérias.
É um triplo acto aquele em que os portugueses vão participar. São as eleições para o Parlamento Europeu, para as Autárquicas e as Legislativas. Sendo três actos eleitorais, apresentam especificidades muito próprias.
As eleições europeias, o primeiro acto eleitoral de 2009, elegem os representantes portugueses ao Parlamento Europeu. Este costuma ser um acto com alguma simbologia, em termos de análise sociológica do País. É uma eleição habitualmente pouco participada, também porque os eleitos estão e mantém-se, infelizmente, distantes e distanciados do eleitorado que os elegeu. Acresce que existe o conceito, ainda que estereotipado, de que a instituição europeia é algo longínquo, desfasado da realidade, cujas decisões ou não afectam ou, se o fazem, é de forma muito relativa, o dia a dia dos portugueses.
Há, também, o preconceito de que este é um lugar e uma função pouco trabalhosos e, simultaneamente, muito rentável, financeiramente.
Até os “media” ajudam a vender a imagem, falsa, aceito, de que esta é a “reforma dourada” para um político. E não podemos esquecer que o português, para além de “voyeur” tem, também, como característica da sua personalidade, a pequena inveja, mesquinha, das conquistas e, principalmente, dos proventos financeiros dos outros.
Mas é preciso também assumir que este acto eleitoral costuma ser usado como um acto de punição do Governo em exercício.
Por outro lado 2009 é um ano de crise, forte, profunda, difícil e complexa, porque internacional. Além que, quando a crise atingiu Portugal e se fez sentir, em concreto, na população, já o País estava em crise. Assim sendo, ainda que não seja meu hábito fazer prognósticos, prevejo uma subida acentuada da abstenção, também como forma de repúdio, no sentido lato, do Governo, da acção governativa, da crise e da política em geral.
E esta deverá ser uma acção contestatária, a valorizar cuidadosamente.
Acessoriamente, prognostico uma descida no “score” atingido pelo Partido Socialista.
O PS é a imagem do poder e a população acha, creio, ser este o momento de exibir um significativo cartão amarelo, usando a gíria futebolística.
Convém, ainda, referir que o próprio Partido Socialista, historicamente tende a desvalorizar este acto eleitoral. Basta ver o cabeça de lista escolhido este ano que, não sendo a única opção disponível, se apresenta ao eleitor anónimo como uma figura desconhecida, distante, altiva, demasiado intelectualizada e com um discurso hermético, principalmente na essência.
Em termos genéricos, Vital Moreira consubstancia uma opção deficitária e assumo-o, mesmo tendo estima e consideração pelo candidato.
O Partido Social Democrata, por seu turno, não deverá conseguir um resultado muito expressivo que sirva de “élan” para a direcção presidida por Manuela Ferreira Leite.
A nova liderança do PSD não tem conseguido convencer o eleitorado, nem capitalizar o descontentamento generalizado da população, muito em parte devido à má estratégia que tem vindo a seguir, mas também por causa dos péssimos estrategas que a rodeiam e da má imprensa que a comenta. Desta forma a mensagem não tem passado e, quando o consegue, fá-lo de forma enviesada.
Até as lutas internas, verdadeiramente intestinas, têm contribuído para descredibilizar os actores e fragilizar a líder.
Este mau resultado poderá vir a ser atenuado ou agravado consoante o cabeça de lista escolhido, ainda no segredo dos Deuses e numa tentativa, aparentemente cautelosa, de não valorizar, em demasia, o referido acto eleitoral.
O PCP e seus satélites não deverão conseguir atingir resultados surpreendentes. Em Portugal, neste momento, o Partido Comunista encontra-se entalado entre um Partido Socialista, de Governo, que à medida que a crise se agrava se tem vindo a esquerdizar, como lhe será conveniente e um Bloco de Esquerda, reinvidicativo e pujante, que soube conquistar, sem dúvidas, a liderança da Esquerda que faz ruído e é ouvida.
Mesmo com Jerónimo de Sousa ou até por causa dele, o PCP parece não conseguir força para reverter a tendência descendente que se vem fazendo sentir.
Ao CDS ou PP, consoante a fase e a liderança, não auspicio grande resultado, principalmente porque o partido se tem vindo a esvaziar, nos últimos tempos, muito por culpa de Paulo Portas. O CDS/PP poderá vir a readquirir importância e visibilidade mas unicamente na dependência dos resultados a obter nas próximas eleições legislativas e, consequentemente, no interesse e disponibilidade manifestados para cooperar numa aliança, inclusive de vertente governativa.
O Bloco de Esquerda, por seu turno, deverá vir a constituir a grande surpresa do primeiro acto eleitoral de 2009. Tem sido um partido interventivo, que tem vindo a saber aumentar a visibilidade e com boa imprensa. O partido liderado por Francisco Louçã tem conseguido capitalizar o descontentamento popular e adoptado algumas bandeiras, como vectores de intervenção, acutilantes e certeiras. Pena é que o seu líder não consiga descolar de uma imagem austera e pesada, rígida e quase agressiva, que não consegue agradar a alguns sectores do eleitorado.
Acredito que o BE possa atingir os dois dígitos com facilidade, podendo aproximar-se da fasquia dos 20%. Todavia este pode vir a ser um resultado perigoso, porque irreal. Atingida esta ordem de valores, o resultado não representará o eleitorado real, nem um aumento, fidedigno, de votantes, significando apenas a capitalização, no momento, do eleitorado descontente, nomeadamente certas classes profissionais que foram nítidos alvos da estratégia e da acção governativas. Refiro-me, especificamente, aos funcionários públicos, aos professores, aos enfermeiros, às forças de segurança, enfim, a estratos profissionais poderosos, com sentido crítico e estratégico. Assim sendo o BE pode correr, a breve prazo, o perigo de repetir o fenómeno PRD, podendo ser-lhe fatal.
No que concerne às eleições autárquicas, estas são atípicas porque aí não funciona a ideologia politica nem a simpatia partidária. Neste caso funcionam, inquestionavelmente, o candidato, o percurso e as propostas, independentemente do partido ao abrigo do qual se candidata.
Mas o grande momento eleitoral, a verdadeira batalha, serão as eleições legislativas.
Aí sim, discutir-se-ão os projectos e o caminho para o País.
A grande distância e condicionado por diversos itens, nem todos conhecidos, creio que o resultado mais provável será a vitória do PS, ainda que perdendo a maioria absoluta.
Nesse caso poderá vir a desenhar-se, de forma consistente, a hipótese de constituição de um novo Bloco Central, que contará com a discreta anuência da Presidência da República, tendo como principal justificação a crise e os interesses nacionais.
Esta será, todavia, uma solução que jamais terá a minha simpatia.
A ver vamos...

Manuel Damas in "Revista do Sindicato Independente de Professores e Educadores", 2009

Publiquei aqui este artigo, a 6 de Abril de 2009.
Hoje, 25/9/2009, poucas foram as coisas que saíram com desvio.
Deixo, à reflexão...

TV...


Às 0.30, irá para o ar, na Porto Canal, em directo, com a duração de uma hora, a 87ª emissão, do "Sexualidades, Afectos e Máscaras" com a Maria José Guedes.

Com novo horário, agora 30 minutos mais cedo, com novo cenário e retemperados pelo descanso das férias é possível começar a nova época com novas energias.
O tema a abordar hoje é a continuação da emissão da semana passada, ou seja, "A nova Lei de Educação Sexual, publicada a 6 de Agosto".
Uma questão polémica...
Uma nova Lei...
Uma nova realidade...
As mesmas críticas e outras que surgem, agora, com os enormes erros que esta nova realidade legal cria.
A Educação Sexual mantém-se transversal...
E eu sou um forte crítico da transversalidade da Lei.
Sei que o facto da Educação Sexual poder ser abordada nos mais diversos contextos disciplinares facilita que não seja abordada em nenhum.
Porque os "curricula" são extensos.
Porque é um tema fracturante.
Porque a ordem de prioridades torna-se menos problemática, supostamente se o tema for deixado esquecido.
Com a definição de seis horas/ano para os mais novos até um máximo de 12 horas para os anos mais avançados é tornar a questão ainda mais conflituosa.
É impossível conseguir falar de temas tão díspares como as Sexualidades, os Afectos, a Luta contra a Discriminação de Género, a Gravidez não Desejada, só para citar alguns dos itens programáticos, em 6-12 horas/ano. Pensar em tentá-lo é, no mínimo, obsoleto.
O facto de deixar às Escolas a liberdade de execução torna, ainda, o processo mais complexo e discricionário.
É, ainda, necessário alertar para o facto de, na grande maioria das Escolas, este tema estar a ser entregue aos Professores de Educação Física, o que se torna caricato e pode condicionar o tipo de abordagem e as estratégias a utilizar.
Também dramática se torna a realidade quando os tempos estão condicionados pela ameaça que é, hoje, a probabilidade da Gripe A.
E isto afecta, uma vez que nas aulas de 45 minutos os ultimos 20-30 minutos são dedicados aos alunos se lavarem e lavarem os materiais e as salas de aula...
Estamos a falar de 45 minutos menos 20 a 30.
Dir-me-ão...todas as aulas estão a ser afectadas...
Mas as outras disciplinas não estão condicionadas a uma carga horária de 6-12horas/ano!
Tudo isto para dizer que a questão, neste momento, é perfeitamente ridícula, principalmente da forma que está a ser executada.
E é esta a temática que iremos abordar nesta emissão, desta terceira época do SAM-TV!
É um outro tema, diferente, abordado com clareza, de forma informal, mas trabalhado, em estilo tertuliano, com os nossos espectadores.
Porque este é o Mundo do dia a dia, a vida real.
A intenção é, uma vez mais, efectuar uma abordagem com a frontalidade obrigatória que os espectadores exigem e merecem.
A motivação é, acima de tudo, tentar dialogar sobre o tema.
É mais uma janela de oportunidade, para abordar, com especificidades próprias, em contexto televisivo e em directo, questões, na área das Sexualidades e dos Afectos, nomeadamente a nível da intimidade e da afectividade.
Será, novamente, uma sexta-feira passada a correr mas, obviamente, com enorme prazer.
À 1.30 da manhã, quando abandonarmos as instalações da televisão, sairemos cansados mas, acima de tudo, com a noção do dever cumprido e, já, ansiosos pela próxima maratona televisiva...