domingo, 9 de março de 2008

FESTIVAL DA CANÇÃO...


Acredito que aquilo que vou escrever de seguida possa ser considerado politicamente incorrecto.
Todavia, quem me lê far-me-à a justiça de considerar e aceitar que eu escrevo aquilo que penso, defendo e sinto e não o que outros gostariam, supostamente, de ler.
Mas também acredito que quem aqui me visita e a quem eu considero já com Amizade, o faça, precisamente por eu ser como sou...
E toda esta introdução vem a propósito do...
Festival da Canção.
"Festival da Canção?", interrogarão...
Outros continuarão a ler, ainda que na expectativa.
Outros ainda, pensarão...
"Desta vez passou-se mesmo.
Festival da Canção?...
Francamente!!!
Piroseira!"
Pois...
Lamento...
Mas eu...
Eu gosto do Festival da Canção.
Posso, inclusive, ir mais longe.
O dia do Festival da Canção era um dia de ritual em casa dos meus pais, inclusive com direito a mapas e grelhas para votações, feitos primeiro à máquina e, depois, em computador. Havia mesmo um momento sério de votação, renhida, em que participávamos todos.
"O Júri do Porto,Capital do Norte, reunido na Sede do Governo Civil ( outras vezes no "Jornal de Notícias") saúda todo o Portugal. Eis a votação...
E o mesmo ritual se cumpria com o Festival Eurovisão da Canção
"Chanson numero deux...dix points.."
Pela minha mente passam nomes, rostos, melodias e momentos que ficaram para a história do nosso País.
Simone de Oliveira que, com a sua "Desfolhada" atira para uma plateia atónita que "Quem faz um filho fá-lo por gosto!"
Fernando Tordo e a sua Tourada que, de forma impensável para a época utiliza, em palco, a palavra "cornos"...
José Cid..."Adios, Adieu, Auf Wierdhersen, Good Bye..."
Adelaide Ferreira e os seus espantosos vestidos...
As "Doce" primeiro com "Ali Bábá" e "mil e um noites que passamos juntos, mil e uma histórias que contámos juntos" e depois com "Bem Bom" e "Uma da manhã um toque, um brilho no olhar, duas da manhã dois dedos de magia".
Carlos Paião e o seu "Playback"..."em playback é que tu és bom, a cantar sem fugir do tom..."
O "Sobe sobe balão sobe, vai pedir aquela estrela que me deixe lá viver e sonhar"...
O Herman José e " O teu baton"...
A Alexandra...."Vinho do Porto, vinho de Portugal e vai à nossa, à nossa mesa..."
A Dulce Pontes.
A Dora e as suas botas de guerra tenebrosas a gritarem sobre uns collants verdes e uma saia de tule curta e negra...
Os Da Vinci e o seu "Conquistador"..."Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola e Moçambique..."
Dina e a sua "peguei, trinquei meti-te na cesta..."
A Anabela e a sua "quando cai a noite na cidade, há sempre um sonho e há magia..."
E tantos e tantos outros nomes e melodias e momentos que ajudaram a escrever a história da então chamada Música Ligeira portuguesa.
E o mesmo acontecia, depois, com o Festival Eurovisão da Canção...Era o mesmo ritual.
Mas aí a ansiedade aumentava assim como a expectativa...
E a coragem sempre lançada pelo Eládio Clímaco e pela Maria Elisa que iam dando ao País, em directo, notícias das intrigas de bastidores e do estado da bolsa de apostas anual...
Era todo um ritual...
Muitos anos depois e muitas canções trauteadas ainda hoje, para mim, o dia do Festival da Canção é sagrado e todos os meus amigos o sabem...hoje não sou "visitável"!
E lá estarei eu a ver, a ouvir, a analisar e a votar.
Mas eu...
Eu sou um Homem de Afectos.

BREVES...


Comemoraram-se os 25 anos do falecimento de Hervé, o criador de Tintin, uma das personagens de Banda Desenhada mais famosas do mundo, responsável por ter colorido o imaginário infantil de milhões de adolescentes e jovens, um dos quais fui eu.
Enuncia-se, agora, a hipótese de transcrever para o cinema, algumas das aventuras, com personagens animadas e numa trilogia. É um projecto de Steven Spielberg, ao qual se acaba de juntar Peter Jackson, no seguimento do acordo dos dois para o "Lovely Bones", o novo projecto do realizador de "The Lord of The Rings".
Cada realizador será responsável por um dos momentos da trilogia, mas pretende-se que o produto final seja o somatório da realidade interpretada por actores com o universo singular criado por Hergé. O nome do terceiro realizador ainda não está escolhido.

Foi, há dias, encontrado num contentor do lixo, numa lixeira perto de Loures, o corpo de um travesti.
De imediato a Polícia Judiciária colocou-se no terreno, receando que se repetisse, anos depois, o caso Gisberta, ainda que com outros requintes.
Chega-se, à conclusão, porém, que mais não foi do que ajustes de contas entre elementos da noite e relacionados com a prostituição.
Não deixa de ser, todavia, motivo para uma nota de rodapé...
Seja qual for o percurso de cada ser humano é, no mínimo, macabro e sinistro terminar a viagem num contentor do lixo.
Parece ser o acto máximo de degradação...Um corpo que outrora já teve vida, que sorriu, que chorou, que odiou, que amou...ser atirado para o balde do lixo, terminando desta forma, a existência de um nome que foi usado e que acabou por ser deitado fora.
É sinistro!

Finalmente o Espaço t-Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária conseguiu inaugurar a sua sede no Porto.
Instituição de solidariedade, com 14 anos de existência, vê agora abrir as suas portas, em instalações próprias e condignas para o efeito, na Rua de Vilar, com o apoio do FEDER, através de uma candidatura ao POEFDS.
Ao longo dos anos o Espaço t tornou-se um local e uma força de solidariedade social a merecer ser acarinhada pelas gentes do Porto.

A COR DO AMOR...

Com uma palette de cores...
De que cor pinta o "Amor"?

Rosa de beleza suave e ténue?
Vermelho de paixão?
Branco de inocência?
Azul claro como a cor do céu?
De verde forte a cheirar a relva?
Dê-me as suas cores...
Ou será um "Enigma sem Fim", como pintou Salvador Dali?

sábado, 8 de março de 2008

PORTUGAL, JÁ!


Precisamente porque hoje é o Dia Internacional da Mulher e sei que as mulheres deste País também sofrem com a insanidade política que hoje vigora...
Precisamente porque hoje é também o dia da "Marcha pela Indignação"...
"Posto" aqui, com um avanço de nove horas, a crónica que amanhã será publicada no jornal.
É a título de manifesto desiludido, que ilustro com "A Maternidade" de Pablo Picasso
É a título de homenagem à mãe portuguesa que hoje não sabe se terá pequeno almoço para dar ao filho amanhã...

José Sócrates e eu não vivemos no mesmo Portugal!
São imagens diferentes de uma mesma realidade, talvez em espelho mas, nos antípodas.
No Portugal de Sócrates as crianças sorriem e saltam, felizes e contentes... no meu Portugal as crianças têm fome, são vítimas de trabalho infantil e de diversas formas de violência, sofrem de obesidade mórbida, não têm futuro sorridente.
No Portugal de Sócrates a população vive feliz e realizada...no meu Portugal a população arrasta-se, desiludida, preocupada em sobreviver aos impostos, aos empréstimos, às necessidades do dia a dia.
No Portugal de Sócrates é tudo sorrisos...no meu, não.
No Portugal de Sócrates vive-se...no meu sobrevive-se e a custo!
Ouvi e li, atónito, o discurso de Sócrates no “Fórum Novas Fronteiras”.
Achei sinistra a ideia de o colocar a discursar, aparentemente no meio da assistência...como se inter pares!
De um novo-riquismo bacoco e inusitado.
Sei que é uma cópia da estratégia de marketing usada por Barack Obama na corrida à nomeação para as presidenciais norte-americanas.
Mas, precisamente por isso é que se torna provinciana.
São personagens, palcos e graus de desenvolvimento diferentes.
Mas, principalmente, porque são realidades sócio-económicas diferentes...e é aí que assentam a ironia e o sarcasmo da situação. É precisamente por estas disparidades, que este tipo de campanha nunca deveria ser usado por Sócrates. Comparar as realidades americana e portuguesa é, no mínimo, esquizofrénico...faz lembrar o pobre que, ao domingo, veste o seu melhor fato para se ir exibir, passeando a prole no adro da Igreja, como se fosse rico mas, na realidade, não o conseguindo, o que deixa uma sensação de pobreza e de mediocridade. Fica uma imagem de fraca qualidade, descolorida...degradante!
Mas regressemos à suposta efeméride, ao palco e ao actor principal...
Que grande actor!
Que extraordinária técnica de representação!
Aos Óscares, já!
Mas uma dúvida...
Estamos a falar de que realidade?
Do Portugal 2008 não será, certamente.
Diz Sócrates...“As Novas Fronteiras são isto : uma assembleia de mulheres e homens livres.” ...E eu acrescento, esperançados não na construção de um projecto de país mas na recompensa a receber, o mais significativa possível.
Afirma mais adiante...“Não aceitamos um Estado capturado por interesses particulares e corporativos, nem paralisado pela burocracia.”...Na realidade, jamais se viu Portugal tão refém de alguns grupos económicos que, ironicamente, parecem agora querer esboroar-se, dilacerados por lutas e intrigas internas, guerras fratricidas que deixam vislumbrar estranhas manobras de corrupção e de favorecimento, lucros e benefícios até então insuspeitados, num somatório ainda impossível de quantificar e de delimitar.
E não é necessário temer que o país fique parado pela burocracia porque inerte, já ele está.
O país parou, sem honra nem glória, defraudado, desmotivado, incrédulo, incapaz de prosseguir, porque está sem rumo, fio condutor, projecto ou estratégia.
E mais à frente Sócrates argumenta...“A nossa atitude não é a resignação e o lamento. O país tem de sobra profetas da desgraça. Acho até que o país começa a ficar cansado do pessimismo profissional, como se o bem estar profissional de alguns dependesse da depressão colectiva que todos os dias tentam alimentar”... Na realidade a situação dos portugueses não é de resignação mas de incapacidade de lutar contra o descrédito, a injustiça social, a desigualdade cada vez mais gritantes. E clamo pelas populações do interior, acarinhadas no decurso das campanhas eleitorais e nunca, como até agora, tão enganadas, vilipendiadas, atiradas para a prateleira do esquecimento. Enumeremos, a título de exemplo, o fecho das maternidades, dos serviços de urgência, dos centros de saúde, das escolas, dos tribunais, das esquadras...Quais foram as populações mais afectadas? Indubitavelmente as gentes do interior, desprovidas, cada vez mais, de recursos, autênticos desterrados no seu próprio país, públicamente considerados cidadãos de segunda, ostracizados e esquecidos de forma vergonhosa e envergonhada.
E continua Sócrates...“Dizem alguns, repetindo slogans de sempre, que aumentaram as desigualdades em Portugal”... E eu contraponho com dados concretos...
A taxa de desemprego de 8%.
Os 70 mil jovens licenciados desempregados.
O aumento real dos impostos.
A diminuição dos benefícios fiscais dos idosos e dos reformados.
A redução drástica da comparticipação dos medicamentos.
A restrição insana dos benefícios fiscais dos cidadãos portadores de deficiência, um dos grupos sociais mais desprotegidos, ostracizados e abandonados pelo Estado e, acima de tudo, com menor capacidade de reivindicação.
A quebra assustadora do poder de compra, acompanhada a passo pelo aumento asfixiante do endividamento das famílias portuguesas e o aparecimento recente e preocupante de uma nova pobreza, formada e informada, envergonhada porque não habitual.
E vai mais longe Sócrates alegando... “Baixou o insucesso escolar .”...À custa de manobras de secretaria e de maquilhagem. Na realidade, os números do insucesso escolar baixaram, à custa de um facilitismo irresponsável e demagógico, promotor de analfabetismos mais preocupantes...uma moderna “ignorância diplomada”!
E, porque esta crónica já vai longa, apenas acrescento o consumatum est de Sócrates... “Há três anos tínhamos esperança. Hoje temos mais do que esperança : temos confiança.”...E eu, ouvindo isto, sinto-me incapaz de evitar um esgar desiludido, irónico mas, acima de tudo, preocupado.
Sentirá, Sócrates, aquilo que diz, o que é preocupante pelo evidente desfasamento da realidade ou apenas tenta vender uma imagem ficcionada, que sente e sabe ser irreal?
Sinceramente não sei...
Por tudo isto só me resta exigir...
Portugal, Já!
Manuel Damas in "O Primeiro de Janeiro" a 9-3-2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

SEMPRE COM AFECTOS!



Apenas para dizer que passei por aqui, a correr, e que me lembrei de todos, com Afecto e aqui deixo...uma carícia!

"SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS"-24ª emissão


Logo irá para o ar, às 0.30, na Porto Canal, em directo, mais uma emissão, a 24ª, do programa "Sexualidades, Afectos e Máscaras".
Hoje será a segunda parte do tema "Violência nas Relações".
Muito ficou ainda por dizer, para discutir e conversar.
A violência nas relações "versus" a violência na relação sexual.
A violência psicológica e a violência física...qual a mais pesada, a mais forte, a mais grave, a mais invasiva?
A violência imposta, a violência consentida e a violência desejada.
Estes e outros aspectos serão tratados logo, sem formalidades, de forma pedagógica, sem tabus nem pudores, no único programa de televisão, em Portugal que, em directo, aborda temas das Sexualidades e dos Afectos, sem esquecer as condicionantes impostas pelas Máscaras.
Apareça.
Colabore.
Vai gostar e vai tornar-se visita habitual da nossa sala de estar tertuliana.
Até logo.

DESAFIO...


Não me irritem!
Eu tenho andado muito calmo...
Tenho, até, descurado um pouco este nosso espaço de tertúlia, mas afazeres profissionais esta semana, ocuparam-me o tempo e as energias todas.
Mas agora as coisas vão voltar ao seu ritmo normal.
Faço, amanhã, a última das conferências com que não contava e tudo voltará a ser como antes.
Está bem.
Eu divulgo...
Vou fazer amanhã uma conferência à Universidade Católica, a Viseu, às 15 horas, integrada no "1º International Development And Special Education Congress".
O título da conferência será " O Doce Bailado dos Afectos e as Deficiências"...
Assim sendo, tudo está prestes a regressar à normalidade.
Deste modo, é mais do que altura de lançar um desafio.
Sim!
Um desafio!
Os meninos e as meninas estiveram praticamente uma semana de férias desta tertúlia de desafios por isso, é mais do que altura de espevitar as consciências.
O desafio é...
Todos nos lembramos do nosso primeiro beijo.
E não neguem...é inesquecível.
Onde foi?
Com quem foi?
Que idade tínha?
O cenário?
E, acima de tudo, qual foi a sensação?
Pois...
O desafio é esse mesmo.
Picante?...apenas um levíssimo travo.
Original?
Sem dúvidas!
Provoca uma suave e doce nostalgia?
Obviamente...e a intenção é essa mesmo, só e apenas.
Aqui não reina nenhum resquício de "voyeurismo"...
É apenas recordar uma doce brisa do passado e, se possível, senti-la de novo e, de preferência, com um belo olhar na face, perdido no tempo...
O desafio é para ser deixado aqui e, depois, postá-lo, se quiserem, no vosso blog.
Mãos à obra...