
Acredito que aquilo que vou escrever de seguida possa ser considerado politicamente incorrecto.
Todavia, quem me lê far-me-à a justiça de considerar e aceitar que eu escrevo aquilo que penso, defendo e sinto e não o que outros gostariam, supostamente, de ler.
Mas também acredito que quem aqui me visita e a quem eu considero já com Amizade, o faça, precisamente por eu ser como sou...
E toda esta introdução vem a propósito do...
Festival da Canção.
"Festival da Canção?", interrogarão...
Outros continuarão a ler, ainda que na expectativa.
Outros ainda, pensarão...
"Desta vez passou-se mesmo.
Festival da Canção?...
Francamente!!!
Piroseira!"
Pois...
Lamento...
Mas eu...
Eu gosto do Festival da Canção.
Posso, inclusive, ir mais longe.
O dia do Festival da Canção era um dia de ritual em casa dos meus pais, inclusive com direito a mapas e grelhas para votações, feitos primeiro à máquina e, depois, em computador. Havia mesmo um momento sério de votação, renhida, em que participávamos todos.
"O Júri do Porto,Capital do Norte, reunido na Sede do Governo Civil ( outras vezes no "Jornal de Notícias") saúda todo o Portugal. Eis a votação...
E o mesmo ritual se cumpria com o Festival Eurovisão da Canção
"Chanson numero deux...dix points.."
Pela minha mente passam nomes, rostos, melodias e momentos que ficaram para a história do nosso País.
Simone de Oliveira que, com a sua "Desfolhada" atira para uma plateia atónita que "Quem faz um filho fá-lo por gosto!"
Fernando Tordo e a sua Tourada que, de forma impensável para a época utiliza, em palco, a palavra "cornos"...
José Cid..."Adios, Adieu, Auf Wierdhersen, Good Bye..."
Adelaide Ferreira e os seus espantosos vestidos...
As "Doce" primeiro com "Ali Bábá" e "mil e um noites que passamos juntos, mil e uma histórias que contámos juntos" e depois com "Bem Bom" e "Uma da manhã um toque, um brilho no olhar, duas da manhã dois dedos de magia".
Carlos Paião e o seu "Playback"..."em playback é que tu és bom, a cantar sem fugir do tom..."
O "Sobe sobe balão sobe, vai pedir aquela estrela que me deixe lá viver e sonhar"...
O Herman José e " O teu baton"...
A Alexandra...."Vinho do Porto, vinho de Portugal e vai à nossa, à nossa mesa..."
A Dulce Pontes.
A Dora e as suas botas de guerra tenebrosas a gritarem sobre uns collants verdes e uma saia de tule curta e negra...
Os Da Vinci e o seu "Conquistador"..."Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola e Moçambique..."
Dina e a sua "peguei, trinquei meti-te na cesta..."
A Anabela e a sua "quando cai a noite na cidade, há sempre um sonho e há magia..."
E tantos e tantos outros nomes e melodias e momentos que ajudaram a escrever a história da então chamada Música Ligeira portuguesa.
E o mesmo acontecia, depois, com o Festival Eurovisão da Canção...Era o mesmo ritual.
Mas aí a ansiedade aumentava assim como a expectativa...
E a coragem sempre lançada pelo Eládio Clímaco e pela Maria Elisa que iam dando ao País, em directo, notícias das intrigas de bastidores e do estado da bolsa de apostas anual...
Era todo um ritual...
Muitos anos depois e muitas canções trauteadas ainda hoje, para mim, o dia do Festival da Canção é sagrado e todos os meus amigos o sabem...hoje não sou "visitável"!
E lá estarei eu a ver, a ouvir, a analisar e a votar.
Mas eu...
Eu sou um Homem de Afectos.











