O ter passado pelo blog da "Blue" Blue Velvete ter lido o post dela sobre o seu próximo aniversário, criou-me nostalgia.
Porque eu faço anos amanhã...aliás, melhor dizendo, daqui a umas horas.
Nasci a 18 de fevereiro.
47 anos e muito mas muito mesmo, caminho percorrido.
Olhando para trás vejo muito, vejo tudo, até lá ao fundo...
Uma infância triste marcada por uma complicada maneira de ser e estar na vida, traduzida por uma frase que atirei a minha mãe, a chorar, no dia em que fiz 5 anos de idade...
"Estou a ficar velho, mã!"
E penso que esta frase tem marcado toda a minha vida.
O querer fazer tudo, sempre com medo de vir a não ter tempo de o fazer!
Mas agora a reacção é tranquila...
Olhando para trás, vejo que já fiz muito, mas ainda muito me falta para fazer.
Profissionalmente, a Licenciatura em Medicina, a especialidade em Medicina Nuclear, os vinte cursos de pós-graduação, o mestrado, o doutoramento...
Um percurso de trabalho, nem sempre fácil, para não dizer quase sempre difícil.
Desde o curso de dactilografia tirado aos dez anos com vinte palavras por minuto, ao curso de salsa e merengue feito há 5 anos, não esquecendo o de esperanto há 3 anos...tem sido um caminho cheio e sempre esforçado.
Em termos de actividades profissionais, as aulas nas diversas Faculdades por onde passei, as consultas, as numerosas e variadas conferências que fiz e faço...já estão marcadas mais três conferências.
As consultas de Medicina no Trabalho, nas diversas empresas onde presto serviço, permitem-me, também adquirir uma outra noção da realidade do tecido social português.
As consultas de Sexologia que, há cerca de 12 anos foram interrompidas, por decisão própria, para repensar a situação e concluir se valeria a pena continuar tendo em conta todo o processo de sofrimento pessoal que implicavam, tendo em conta as realidades sofridas e sofredoras com que sou permanentemente confrontado. E, por fim, o regresso à Sexologia, de forma tranquila e assumida.
A crónica do jornal, o programa de rádio e agora o programa de televisão, têm sido, também, marcas profundas no meu património de experiências profissionais.
A ida para os EUA e a estadia em Georgetown, sozinho, provocou, também ela um processo de amadurecimento.
A ida para Espanha e a parte lectiva do Doutoramento constituiu um outro processo de aprendizagem e crescimento, nem sempre fácil.
Mesmo a Presidência da Mesa da Assembleia Geral do Sindicato de Professores, permite-me ter uma outra visão sobre a realidade do meio laboral em Portugal, especificamente no campo da docência.
Depois...depois, os Afectos.
A morte do meu Pai há vários anos e, muito recentemente, a da minha mãe foram processos de luto muito dolorosos, dores de extraordinária violência, que ainda hoje se fazem sentir.
Até nesse campo o crescimento foi obrigatório uma vez que sempre que vou ao cemitério, à capela da minha família, penso que, pela ordem natural das coisas, o próximo a habitar aquela capela serei eu...
E aí...
Adeus Prada, adeus Louis Vuitton, adeus tudo...
Ainda no campo afectivo um casamento de dez anos, falhado, porque nunca devia ter acontecido e dois filhos com quem mantenho uma relação não tão próxima como gostaria, por imposição da mãe e ineficácia dos Tribunais, provocou em mim, também, uma outra maneira de racionalizar os Afectos.
E esta relação actual, após quase seis anos de vida em comum, não uma relação mas A RELAÇÃO, com 23 anos de idade de diferença, aquela que bate uma vez e fica, independentemente do percurso e do sucesso eventualmente atingidos. Também esta é um processo de negociação e de crescimento, todos os dias lutado, negociado, sentido.
O adiamento, por culpa própria,mais especificamente por causa da morte da minha mãe, do lançamento do meu livro que penso que,agora sim, irá, definitiviamente para a frente, até porque gostaria que outros se seguissem, tem sido uma outra epopeia.
Olhando para trás, depois de tudo isto, relatado de forma breve, ainda que sentida e suada passo a passo, faz-me concluir que a vida tem sido muito suada para mim, muito dificultada, com tudo arrancado com dificuldade e a ferros, podendo ter sido tão mais fácil e prazerosa!
E logo eu que continuo a ter vertigens atrozes, com um medo petrificante das alturas, o que representa um outro dado de mim pouco conhecido e raramente assumido.
A enorme paixão em conduzir muito depressa...quase sempre acima dos 200km/h que também são fáceis de atingir, tendo em conta que, em média, faço cerca de 1500Km/semana.
Depois a dança...uma das enormes paixões da minha vida...adoro dançar...tudo!
Tudo não...odeio folclore.
Por último, que isto de abrir as portas cá do interior doi e custa...a revelação de um ritual celebrado, sempre, desde os 18 anos...este sim, nunca confessado publicamente e apenas do conhecimento dos meus Afectos mais directos...Dentro de aproximadamente duas horas, à passagem da meia noite, lá estarei a cumprir o ritual de sempre...O beber uma taça de champanhe, sempre no mesmo copo, um copo de cristal vermelho, já muito antigo, de invulgar beleza pela forma e pela decoração, herdado de casa de meus avós e que repito, inevitavelmente, há 29 anos.
E depois...e depois, o recordar inevitavelmente dos meus Afectos, este ano de uma forma mais dorida...é o primeiro aniversário sem a minha Mãe.
Uops...uma lágrima fugiu...significa que é altura de terminar este post que representa um mostrar, por escrito, de um pouco de mim!
O acesso a um outro lado, menos conhecido...









