segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ISLÂNDIA


A Islândia tem, desde ontem, um novo Governo, comandado pela social democrata Johanna Sigurdardottir.
A notícia apresenta-se de relevo por se referir a um país considerado, há algum tempo, o país maravilha para residir e trabalhar e que, com a crise económica mundial, abriu bancarrota, perante os olhares incrédulos do Mundo moderno.
Mas a notícia adquire outra importância, tendo em conta que é a primeira mulher nomeada para primeira ministra do país.
Assume, ainda, invulgar importância pelo facto da primeira ministra agora nomeada ser homossexual assumida.
Com 66 anos de idade, a nova primeira ministra é considerada uma das pessoas com mais experiência política no país.
Ainda que a orientação sexual não garanta, só por si, validade a alguém também não pode ser impeditiva ou condicionante do desempenho.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

TV


Novo dia de maratona televisiva.
Assim, às 20.15 estarei, em directo, na Porto Canal, no programa "Porto Alive", com a Maria Cerqueira Gomes, na que será a minha quinta intervenção, como sexólogo residente do programa. Hoje o tema a abordar será "Casamento entre pessoas do mesmo sexo".

Um tema polémico e fracturante, evidentemente, posto, de novo na ordem do dia por José Sócrates ao anunciar que seria um item que faria parte da moção que vai apresentar ao Congresso do PS e que, sendo aprovada, como tudo indica, virá a fazer parte do seu próximo programa eleitoral.
Espero que esta questão não venha a ser, de novo, esquecida uma vez que já fazia parte do programa eleitoral do PS na campanha eleitoral para a anterior legislatura.
De qualquer modo, a questão prende-se única e exclusivamente com o direito das pessoas que vivem uma relação, terem legitimidade, se assim o quiserem,a oficializar a mesma, através da fórmula oficial, dita casamento, independentemente da idade, do sexo e, acima de tudo, da orientação sexual.
E isto, especificamente, cumprindo o direito constitucional à não discriminação em função da orientação sexual.
Um tema polémico, sem dúvida mas que se refere, única e exclusivamente, ao direito das pessoas procurarem a felicidade, independentemente da sua orientação.
Estas e outras vertentes serão abordadas.
Será uma nova oportunidade para fazer pedagogia, de forma serena e tranquila, mas científica e, acima de tudo, sem pudores nem tabus.
Depois, à 1.00, irá para o ar, também na Porto Canal, novamente em directo, com a duração de uma hora, a 63ª emissão, do "Sexualidades, Afectos e Máscaras" com a Maria José Guedes.

O tema de hoje será, "Os media e as sexualidades".
Um tema polémico e fracturante que continuará a ser abordado com clareza, de forma informal, mas tentando trabalhar, em estilo tertuliano,com os nossos espectadores.
O poder dos media e, fundamentalmente, a sua capacidade de condicionar e formatar o pensamento das pessoas.
Os media, na sociedade global têm, na modernidade, sem dúvida, um extraordinário poder.
Recordo o facto de há anos atrás o director de uma das televisões portuguesas ter assumido, em público, que seria fácil, a uma televisão, fazer eleger um Presidente da República.
E, na verdade, mais não assumiu do que uma verdade de La Palisse.
E na área das Sexualidades e dos Afectos este mesmo poder pode tornar-se perverso e de extraordinário poder destrutivo e quase castrador.
Será, uma vez mais, uma abordagem efectuada com a frontalidade obrigatória que os espectadores merecem.
A intenção é, acima de tudo, tentar desmistificar o tema.
Prevejo que será um grande programa, a não perder.
E estão, assim, criadas duas janelas de oportunidade, ainda que diferentes e com um registo obrigatóriamente dispar, até porque direccionadas para públicos alvo com especificidades próprias para, em contexto televisivo e em directo, abordar questões que me são caras, na área das Sexualidades e dos Afectos ou seja, a nível da intimidade e da afectividade.
Será, novamente, uma sexta-feira passada a correr mas, obviamente, com enorme prazer.
Certamente que, às duas da manhã, quando abandonar as instalações da televisão, sairei cansado mas, acima de tudo, com a noção do dever cumprido e, já, ansioso pela próxima maratona...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

SARAMAGO...


"Falo directamente à Secretária de Estado. Deixe o apelido Clinton, que já se parece muito a um casaco coçado e com os cotovelos rotos, recupere o seu apelido, Rodham, que suponho ser de seu pai. Se ele ainda é vivo, já pensou no orgulho que sentiria?"
É desta forma que José Saramago, no seu blog intitulado "O Caderno de Saramago", o Prémio Nobel da Literatura, português, apela a todas as mulheres que em vez de usarem os apelidos dos maridos, cumpram aquilo a que chama "obrigação" ou seja, o dever de, na sua perspectiva, manterem o nome de solteiras.
E Saramago conclui o apelo direccionando-se " a todas as mulheres que consideram que a obrigação de levar o apelido do marido foi e continua a ser uma forma mais, e não a menos importante, de diminuição de identidade pessoal e de acentuar a submissão que sempre se esperou da mulher".
Ao ler isto sorri e pensei "Mais uma saramaguice"...
Na realidade Saramago, visível vítima do aguilhão comunista, mesmo após a queda do Muro de Berlim, não se apercebeu de alguns itens, não de somenos importância, para a questão que decidiu levantar...
Há muitas mulheres que querem, por prazer, por opção, por interesse ou por amor, usar, de forma assumida, o apelido do marido.
Há-as, até, que consideram tal acto, uma forma transparentemente assumida de prova de amor e de acto de homenagem.
Mas esquece, ainda, Saramago, e de forma bem mais grave, que em diversos países, como Portugal, este acto pode ser biunívoco. A lei portuguesa permite que também o homem possa adoptar o apelido da mulher, deitando por terra o tal sentimento de submissão, de asfixia das liberdades individuais da mulher, de manifestação da superioridade social masculina, de réstias sórdidas de um fascismo resiliente...(tudo isto usando, obviamente, um tipo de registo escrito tão caro a Saramago e comprovativo da grelha de argumentação que o comunismo ainda tem em uso e espalhada pelos diversos países a nível mundial).
Além de que este é, pelo menos oficialmente, um acto voluntário e não imposto.
Enfim...
"Quo vadis", Saramago?

MADEIRA...


A Assembleia Regional da Madeira rejeitou, com os votos da maioria do PSD, o projecto de resolução de iniciativa do PS e com o apoio do CDS/PP e do PCP e a abstenção do BE e do MPT, que tornava obrigatória a execução do hino nacional nos actos oficiais realizados no arquipélago da Madeira.
Ou seja, por decisão exclusiva do PSD, em actos oficiais tais como a comemoração do dia da região e dos municípios e em todos os outros eventos oficiais será exclusivamente tocado o hino regional da Madeira.
Li e reli a notícia...
Devo dizer, ainda que não seja literariamente inadequado, que me passei completamente!
Mas está tudo louco?
Ou será que a questão dos princípios se está a esvair pelo esgoto de uma qualquer latrina insular?
Ou será ainda que os governantes madeirenses perderam a noção da decência?
Madeira que eu saiba, é Portugal!!!!
Ou será que Portugal apenas serve para ser a vaca onde se vai buscar o leite, vulgo euros, que alguém, iluminado, crê ser de obrigação nacional extorquir, por um lado e ceder por outro?
Sempre me ensinaram que qualquer acção requer uma reacção.
Até nos estudos universitários que tive que efectuar na Faculdade onde me licenciei, quando estudei Psicologia, me ensinaram que um qualquer estímulo gera uma resposta, recordando as experiências de Pavlov e dos seus cães.
Até a minha avó sempre me ensinou que "quem não se sente, não é boa gente", seguindo o ditame popular.
Mas que grotesca atitude é esta, provinda de responsáveis governamentais, ainda que insulares?
A Madeira já não é Portugal?
É que se não o for, talvez até o continente com isso lucre, numa fase tão complicada financeiramente, como esta...
Portugal não pode servir, apenas, para dar milhões e milhões de euros às ilhas, para, depois, se ver, assim, destratado!
Sou português, do Norte, com orgulho...e sê-lo-ei sempre, nunca renegando as minhas origens e muito menos o meu País, ilhas incluídas, até ver, e muito menos os seus símbolos nacionais!
Lamento, especificamente, que esta atitude tenha sido de iniciativa daquele que foi o meu partido e no qual militei 25 anos, ainda que me sinta cada vez mais e mais distante do mesmo.
A propósito recordo a recente polémica entre os Açores e a Presidência da República... e aguardo, ainda com serenidade, a posição do Presidente da República de Portugal acerca deste tema...
O velho continente não pode servir, apenas, para custear a vergonhosa tonteria de outrém!
Senão, um qualquer dia, desde que com governantes corajosos, honestos e dignos, o Governo Central poderá deixar cair as ilhas e deixá-las à sua, pelos vistos, tão sobranceira e independente subsistência.
Isso seria o que eu faria, mesmo sendo e também por isso, orgulhosamente, um Homem de Afectos!
Mas eu não sou governante...ainda que seja corajoso e não admita ultrajes.
Eu sei que um arquipélago não é, forçosamente, os seus governantes...mas também penso que se os ilhéus neles votam de forma maciça será porque anuem.
E não creio que seja por omissão!
E o que mais estranho é que esta situação não seja desnudada publica e oficialmente!
Eu, por mim, fá-lo-ei, publicamente, no meu próximo programa de tv até porque, nunca serei acusado de iniquidade porque, acima de tudo, prezo a minha dignidade de Homem e de português!
E não venham com epítetos de nacionalismo...para esse peditório já dei.
Tenham vergonha Senhores!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ASSIM COMEÇA O MEU PRÓXIMO LIVRO...


A noite estava escura e negra.
E fria...muito fria!
“Terrivelmente fria”, pensou, enquanto, de forma maquinal, apertava o blusão moderno que vestia. Estava um frio cortante, que arranhava o rosto, atravessava a roupa e entranhava-se na pele, causando dor.
E o frio, associado à solidão, provocava uma mistura asfixiante...
Tentando esquecer a realidade exterior e interior, continuou a passear pela praia vazia.
O mar sempre tinha exercido sobre si uma quase inexplicável atracção. Em frente a ele tinha chorado, sorrido de felicidade, gritado. Em frente ao mar podia desnudar-se, sem necessidade de máscaras, sem fingimentos, sem sorrisos de ocasião e poses de plástico.
Havia quem justificasse a sua incontornável necessidade de proximidade do mar com o facto de ser Aquário.
A esses, Gustavo sorria, de forma enigmática. Sentia-se protegido junto ao mar, acarinhado e sem necessidade de usar as milhentas máscaras que, com o tempo, tinha aprendido a construir e a colocar, consoante o momento e o cenário.
Eram as máscaras, que já faziam parte de si, agarradas, coladas à pele, fundidas com a realidade.
Viver sem elas era praticamente impossível. Eram a sua estratégia, a sua defesa, o seu modo de sobrevivência.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

RTP1


Hoje, no telejornal da noite na RTP1, passou uma entrevista que eu dei, na Casa da Música, acerca da Sexualidade e os Mais Velhos, um dos temas pelos quais me tenho vindo a bater desde sempre.
Fiquei contente por a mensagem ter passado, em horário nobre e num canal generalista, sinal, talvez, de que as coisas, no âmbito das Sexualidades, parecerem estar a mudar, ainda que muito lentamente.
E, obviamente, que a questão da Sexualidade nos Mais Velhos é mais um dos temas que esta Sociedade, carregada de tabus, pudores e estereótipos faz por não debater.
Espero que as coisas vão mudando, cada vez mais, ainda que lentamente, até porque, acima de tudo, aquilo porque eu me bato mais não é do que, tão só e apenas, o direito à felicidade de todos e de qualquer um, independentemente das suas circunstâncias.
A ver vamos.
Haja esperança!

CAIXAS MULTIBANCO E TRIBUNAIS...


O Secretário de Estado da Justiça, Conde Rodrigues, mandou retirar todas as caixas multibanco dos tribunais, apenas porque, reconheceu, o Estado não é capaz de impedir que as mesmas sejam assaltadas.
As caixas multibanco assaltadas?
Pior...as caixas multibanco assaltadas nos tribunais?!
Mas os tribunais não são, por essência os locais de justiça por excelência?
Os tribunais não são a "Domus Justitiae"?
E pelo menos os tribunais não se encontram devidamente apetrechados com forças de segurança?
Assumir que não se consegue garantir segurança nos tribunais não é o mesmo que assumir que o Estado não tem força para combater o crime?
Assumir que as caixas devem ser retiradas não será entregar o ouro ao bandido?
Não será deixar cair na rua o poder?
Não será assumir postura submissa perante o crime, a insegurança, a violência?
E um País aguenta esse estado de coisas?
Ou será que o Senhor Secretário de Estado tem medo?
Ou será que o Senhor Secretário de Estado não sabe o que faz?
Ou será que quem deveria ser retirado, com a máxima urgência, deveria ser precisamente o Senhor Secretário de Estado, por se encontrar desafasado da realidade e permitir-se ser apanhado em público com "as calças na mão"?
Com governantes deste, venha o caos, em definitivo...sempre será mais digno!
Se fosse vivo,Eça de Queirós não diria, "Esse Senhor é um asno"?