quarta-feira, 16 de abril de 2008

"TERÁ A SEXUALIDADE PRAZO DE VALIDADE?"


Mais uma intervenção que se tornou passado.
Falo da conferência que apresentei intitulada "Terá a sexualidade prazo de validade?" no decurso do Seminário
"Na rota do envelhecimento rumo à velhice", organizado pela Junta de Freguesia de Paranhos, no Porto.
Sala completamente cheia.
Ceca de 300 pessoas a assistir.
Foi, mais uma vez, oportunidade para fazer pedagogia, agora especificamente na área das Sexualidades e dos Mais Velhos.
E comecei precisamente por aí, anunciando que vinha falar de "Velhos" e de "Sexo"...
"Velhos" porque não me escondo atrás de designações pomposas como "Gerontes, Idosos, 3ª Idade, 4ªIdade". São Mais Velhos porque têm mais idade...tão só e apenas. E tal facto não tem que ser castrador, até porque é apenas um dado morfobiológico.
E de"Sexo", enquanto manifestação de Afectos.
Aproveitei para anunciar que a Sexualidade não se gasta nem se gosta e, como tal, os Mais Velhos têm, também direito à Sexualidade, aos Afectos, ao Prazer, ao Orgasmo!
Ser Mais Velho não tem que ser sinónimo de deserto afectivo.
Ser Mais Velho não tem que ser sinónimo de ternura e de carinho, em exclusividade.
Ser Mais Velho é ter direito a ter orgasmos, em dignidade!
Ser Mais Velho é ter direito a amar e ser amado.
Ser Mais Velho é ter direito a desejar e a ser desejado.
Ser Mais Velho é ter direito...a Ser!
Foi uma outra oportunidade para tentar destruir mitos.
Tudo isto porquê?
Tudo isto porque a Cultura e a Sociedade defendem que os Mais Velhos não têm direito ao prazer...
Quando, na maior parte das vezes, até o desejo e a capacidade de desempenho estão conservadas...
Assumi as alterações anatomo-fisiológicas que a idade impõe a ambos os sexos, tendo-as enunciado, inclusive.
Mas também não as dramatizei!
Apresentei as doenças e as incapacidades que condicionam, efectivamente, o desempenho, em termos de Sexualidades.
Citei muitos dos medicamentos que, só por si, condicionam a qualidade do desempenho.
Enunciei, por fim, as novas estratégias de comportamento, a nível pessoal e a nível relacional, assim como em Família e na Sociedade.
E terminei dizendo que a Sociedade não pode continuar a ser um factor desculpabilizador para estereótipos e comportamentos errados até porque...a Sociedade somos todos nós.
Pela quantidade e qualidade dos aplausos percebi que tinha conseguido o que me propunha.
Mas a cereja do bolo estava guardada para o fim...
Uma entrevista de 5 minutos, aproximadamente, para a RTP 1, a transmitir brevemente, integrada numa grande reportagem sobre Divórcios na 3ª Idade.
Este foi um dia que profissionalmente correu bem.

4 comentários:

@nn@ disse...

nesse caso parabens !

Patti disse...

Chamar velhos aos velhos não tem para mim qualquer intenção depreciativa, como antigo, que já não está em uso, fora de moda, antiquado, muito usado e gasto.
Completamente o contrário! É vivência, é experiência de vida, é conhecimento do mundo, é sabedoria, é sensatez, é passado que faz compreender melhor o presente e ajuda preparar o futuro.
O que detesto mesmo é a palavra "terceira-idade"!
Já agora "última-idade", não?

É com enorme tristeza que vejo como os nossos velhos são tratados por esta sociedade de novos, belos e magros, célebres e ricos.
Uma sociedade que renega e maltrata os seus velhos, é desprezível, é indecorosa é podre.
Não tem futuro!

É isto que penso e foi isto que escrevi ainda há muito pouco tempo.
Haja ainda alguém que pense neles e nos poucos prazeres que lhes restam.
Parabéns.

Manuel Damas disse...

Merci bien, ma petite @nn@...
:D

Manuel Damas disse...

O enorme problema é que os portugueses não são todos novos, belos, magros, célebres e ricos...Bem pelo contrário!
Um beijinho grande Patti.