sábado, 2 de fevereiro de 2008

"SEXUALIDADES, AFECTOS E MÁSCARAS"-a crónica


Estive a assistir a alguns momentos, breves, da cerimónia de tomada de posse dos novos responsáveis pelos destinos do nosso País e sorri, triste, decepcionado, melancólico, revoltado...quase enojado.
Tanta pompa e circunstância.
Tanta falsa modéstia.
“Eu abaixo-assinado...”
Tanta falta de sentido da decência.
Tanto desfasamento da realidade!
“...juro por minha honra...”
Tudo cinzento.
Tudo automatizado.
“...que cumprirei as funções...”
Tudo descerebrado.
Tudo escuro!
Sai Correia de Campos, supostamente a seu pedido...
Sai Pires de Lima, supostamente a seu pedido...
Fica-se com a sensação, incómoda, que saiem por vontade própria e não por um qualquer desejo de inovação, por uma mudança de politicas, por um renovado processo de intenções.
Agora saiem estes dois, PIM!
Logo entram mais dois, PUM!
Uma vez mais parecemos, todos, marionetas de um teatrinho, um pobre e triste teatrinho de fantoches...
Fica-se com a sensação, incómoda, de que foi uma oportunidade perdida, uma hipótese desbaratada, de tentar reorganizar, devidamente, a estrutura governamental.
Dou por mim a pensar que foi pena...foi pena que não tivesse havido coragem ou, mais grave ainda, que não tivesse havido vontade de mexer em sectores complicados e à beira da ruptura total, como a Educação e a Justiça, entre outros, apenas para nomear os mais polémicos e débeis.
E recuso-me a citar o “Jamais”!
Era mais do que necessária, era vital, uma verdadeira remodelação, pensada, estruturada, reflectida, assertiva, consciente e consequente, que tentasse relançar a confiança no eleitorado, que transmitisse “élan”, que motivasse e tranquilizasse o País.
Mas isso...isso obrigaria a uma visão de Estado, a uma ideia para Portugal, organizada, fundamentada, pensada e repensada, concertada, com políticas sectoriais entrecruzadas e interdependentes, com um fim comum, com um fio condutor, que transmitisse a noção de que existe uma filosofia de acção, uma politica norteada, com metas e objectivos definidos.
Mas não...
Parece, uma vez mais, não haver vontade...
Já não haver vontade!
Entram algumas, poucas, caras novas.
Ana Jorge para a Saúde e Jorge Ribeiro para a Cultura.
Sangue novo?
Uma lufada de ar fresco?
Novas ideias, novas intenções, novos projectos?
Ilusão total!
Rapidamente, ambos se apressam a esclarecer, ainda que a medo, que tudo vai bem, que ainda não tiveram oportunidade para estudar os “dossiers”, que isso será feito, atempadamente, mas que tudo vai continuar...
Obviamente bem.
Obviamente igual.
Obviamente cinzento.
Obviamente mais do mesmo.
E cá vamos todos nós, agora já não “cantando e rindo”, que o tempo não está para euforias.
Vamos, apenas.
Desmotivados, mas sem vontade de ter revolta, facto que ainda hoje não consigo entender.
Um Alto Responsável do País, ainda por cima Bastonário da Ordem dos Advogados, mantém e renova declarações e acusações, preocupantes, sobre pântanos e promiscuidades políticas. Dispara, em todos as direcções e sentidos, qualquer palco lhe servindo.
Os outros Altos Responsáveis do País, todos Altos e todos Responsáveis, entreolham-se, resmungam, uns mais entre dentes outros menos, mas a caravana continua a passar, a cair de podre mas continua, apenas porque tem que passar, por total inevitabilidade e não por algum outro motivo ou ideal mais alto ou mais nobre.
Não!
Apenas porque tem que ser.
Com o passar dos tempos os processos de Fátima Felgueiras vão prescrevendo?
“Ainda bem!”, suspiram muitos, aliviados, do alto dos seus cadeirões de cargos importantes. Sim, porque é sabido que em redor de Fátima Felgueiras gravitam muitos nomes, muitos processos nebulosos, muitas teias urdidas e em perigo de arder, muitos processos entrecruzados de poderes e de favores, muitos castelos de cartas que, ao mais pequeno toque desabam, arrastando consigo muito nomes. Nomes daqueles que não convém que caiam, porque muitos seriam institucionais, do passado e do presente...Nomes sem futuro, mas com poder e, acima de tudo, com medo.
O processo Casa Pia não avança?
Pois...muito ainda não foi dito, muito ficará para relatos futuros e outro tanto não se virá a saber, nunca. Assim passe o tempo, tranquilo, que logo sairão inocentados os que outrora culpabilizados foram... Inocentes? Culpados? A espuma dos tempos e o poder dos homens se encarregará de fazer esquecer ou, quando muito, de vender o esquecimento.
E do lado da Oposição?
“De onde?”, perguntar-me-ão.
Pois...talvez tenham razão.
A Oposição enreda-se sobre si própria, presa e entretida nas pequenas intrigas de bastidores, internas, dilacerando-se entre si, porque o ónus da ausência de poder faz perder influência, faz perder clientelas, faz com que os predadores se rasguem uns aos outros, em lutas fratricidas, sedentos de espaço, ansiosos pelo regresso ao poder.
Em vez de uma intervenção permanente, atenta, assertiva, criticando e denunciando os erros e, em simultâneo, replicando com medidas alternativas, inovadoras, estruturadas, consequentes e responsáveis, a Oposição arrasta-se ausente, dolente, como que tentando sobreviver na penumbra, esforçando-se por aguentar até que chegue um novo amanhecer.
E o povo?
O povo, que somos todos nós, vai aguentando em silêncio.
Até quando?
Manuel Damas in "O Primeiro de Janeiro" a 3-2-2008

16 comentários:

f@ disse...

" A oposição arrasta-se ausente" por sempre estar ausemnte e sempre e á mto se arrastar.. sem povo que isso nem existe na cabeça deles...
O povo trabalha para eles e enquanto assim fôr na boa...
nem sei o que dizer nem quero... bj

Manuel Damas disse...

Um beijinho, f@.

parvinha disse...

O Professor não é gago(risos), o povo lá vai desmotivado, pois onde anda a poder e o dinheiro, nada podemos fazer, venham os mais diversos fantoches, embriagam-se e está tudo dito!
beijinhos

Manuel Damas disse...

Pois...gago nunca fui e a minha família sempre me ensinou...antes quebrar do que torcer.
:)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Um óptimo fim de semana

Gi disse...

Uma crónica que condiz com o fundo do blogue . Cinzenta, muito cinzeta e contudo 100% realista.

Obrigada pela visita . um beijinho e bom fim de semana (ou o que resta dele)

Blue Velvet disse...

Professor,
vim dizer-lhe que respondi ao seu desafio.
Parte I.
Volto depois para o comentar.
beijinhos


OS SONHOS!

Eu gosto de sonhos.
São como bolas de sabão.
Fôfos.
Transparentes.
De mil côres.

OS SONHOS!

Eu gosto de sonhos.
Sopro e desfazem-se.
Os sonhos.
Eu gosto de sonhos!
Vêm e vão,
e desfazem-se
como as bolas de sabão.

Eu gosto de sonhos!
Sopro,
Corro,
e desfazem-se,
os sonhos.
Porque são sonhos.

Eu gosto de sonhos!
Brancos e
fôfos.
Como as nuvens.
Eu gosto de nuvens.
Choram as nuvens
como os sonhos.

Eu costumava
sonhar,
e soprar,
e correr,
e sonhar,
e correr,
e apanhar
os sonhos.

Sonhar é viver.
É correr.
É ter sonhos.
É.
Sonhar
é ter sonhos.

Parei de sonhar,
de soprar,
de correr,
de viver!

@nn@ disse...

pois realmente é triste!
se entendi tudo mudam as moscas mas a merda é a mesma!

olhem nos por aqui ca andamos preocupadissssimos com a cor do vestido da noiva! venha o diabo e escolha, ou la ou ca anda tudo numa ma !
beijos

Manuel Damas disse...

Obrigado, gi.
Um beijinho e bom fim de semana.

Manuel Damas disse...

Gostei muito do que li, Blue.
Um protesto, todavia!!!!
Não quero acreditar que tenha parado de sonhar, de soprar, de correr, de viver!
Espero eu!!!!!
Um beijinho grande

Manuel Damas disse...

Pois @nn@...a enorme preocupação acerca da cor do vestido da Carla Bruni!!!
Fantástico!
Um beijito grande.

anarquista_duvall disse...

uma boa forma de descrever o que se passa em Portugal e tão somente a partir de um ou outro acontecimento...fazem falta as vozes de contestação livre e faz falta acordar a malta

obrigado pela dica para a leitura do artigo

Manuel Damas disse...

Seja bem vindo, anarquista duvall..
Espero vê-lo por cá mais vezes.
Um abraço.

Blue Velvet disse...

Professor,
deixei-lhe mais 3 Posts àcerca do seu desafio.rsrsrs

Perder o entusiasmo causa rugas na alma.


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, são as de Verão.
Mas no fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.
Shakespeare

SONHAR É ESCREVER A VIDA NUMA FOLHA DE PAPEL EM BRANCO.
Bluevelvet

Presentinhos para si.
beijinhos

Manuel Damas disse...

Minha querida "blue"...obrigado pela contribuição...agora tipo 3 em 1...
:)))))))))))))))))))))))))))))))))))

Olá!! disse...

É a gripe... muita aspirina e muito sonho ... Blue... wake up... ;)))

Professor, vão tentando iludir-nos com umas trocas e baldrocas... e nós vamos permitindo e criticando e esperando ...

Manuel Damas disse...

Demasiada paciência a nossa, "olá"!
Um beijinho e as melhoras,para todas!
:))))))))))))))))