sábado, 8 de setembro de 2007

SEXUALIDADES -realidades de um percurso



No início de cada ano lectivo procuro, na Universidade onde lecciono, apresentar aos alunos uma planificação para todo o ano. Assim, delineio estratégias, enuncio objectivos e apresento-me...como se eles já não tivessem ouvido falar de mim, pelos colegas! Deste modo inicio o meu processo de sedução... Ensinou-me a prática que, seduzindo os alunos, consegue-se melhor e mais produtivo trabalho e, por outro lado, quando o aluno gosta do professor e/ou da disciplina, sente-se estimulado, produzindo mais e melhor...
Um dos pontos que, invariavelmente, abordo é uma provável teoria da evolução da humanidade que, há uns anos arquitectei e que, partindo do macaco na árvore até ao uso do cartão de crédito, esboça, de forma rápida, aquilo que penso que somos e para onde vamos...Ainda que, de forma polémica, assumo-o, para “épater les burgeois”, como diria Eça de Queirós, enuncio o modo como prevejo que possa vir a ser o futuro do Homem.
Antevejo o desaparecimento do polegar, autêntico erro de implantação, dado que se encontra perfeitamente desenquadrado da linha de inserção de todos os outros dedos. Acresce o facto de ter uma utilidade duvidosa.
Prevejo, também, a queda do nariz e das orelhas, enquanto cartilagens proeminentes na face, até porque se afiguram como autênticos desperdícios anatomo-fisiológicos, facilmente substituíveis por simples aberturas, quer para as fossas nasais, quer para os canais auditivos.
Visualizo, ainda, o estreitamento da comissura labial assim como a diminuição e consequente fragilização das arcadas dentárias com provável redução e posterior desaparecimento daquilo a que hoje chamamos queixo...A alteração do acto alimentar, como o conhecemos, tem vindo a ser uma realidade. Por outro lado, a substituição dos alimentos por pastilhas devidamente preparadas e manipuladas e equitativamente equilibradas, a nível de constituintes, torna dispiciendo o dispositivo mastigatório, como o conhecemos actualmente.
Também a alteração da actividade sexual, tal como hoje se define, afigura-se-me uma inevitabilidade.
Em termos exclusivamente de procriação a clonagem e a fecundação “in vitro” tornam-se processos muito menos sensíveis à casuística do erro e, como tal, cientificamente mais controláveis. Mesmo anatomo-fisiologicamente, a actividade sexual, por mais que me custe equacioná-lo, representa um incompreensível dispêndio calórico e energético assim como uma verdadeira agressão fisiológica à arquitectura anatómica. Isto, numa sociedade que se prevê cada vez mais adepta da ergonomia, assim como da inteligente poupança de custos e de recursos.
Dir-me-ão...”Enlouqueceu”!
Replico, citando Erasmo de Roterdão quando, no “Elogio da Loucura” escreve “Não sei que mais me espanta nos mortais, se a ingratidão, se a indiferença.”
Mas, recuperemos o fio condutor, de que falava René Descartes.
Ando eu a defender um futuro pouco auspicioso para a Humanidade, em termos de evolução, até mesmo no que se refere às Sexualidades, quando leio que, durante uma conferência efectuada na Toscânia, Umberto Veronesi, antigo ministro da Saúde italiano, médico de profissão, afirmou que a espécie humana caminha para a bissexualidade “como resultado da evolução natural das espécies”.
Refutarão...”Entre o que ambos dizem há discrepâncias evidentes”!
Retruco...Óbvio e ainda bem!
Mas Veronesi acrescentou “O Homem está a perder as suas características e tende a transformar-se numa figura sexualmente ambígua(...)desde o pós-guerra que a vitalidade dos espermatozóides diminuiu 50% porque as mudanças das condições de vida estão a fazer com que a hipófise produza cada vez menos hormonas masculinas”!
Sou obrigado a concordar. Na minha perspectiva caminhamos, cada vez mais, no sentido da procura da máxima comodidade. Não é por acaso que à medida que a sociedade evolui, até as guerras e os conflitos globais se tornam loco-regionais.
Ao Homem e por ele, são cada vez mais disponibilizados recursos poupadores de esforço!
Já não lhe é necessário subir às árvores para arrancar as folhas e os frutos mais altos e, como tal, mais maduros e saborosos...as grandes superfícies oferecem-nos, colhidos, escolhidos, lavados e, muitas vezes, até descascados. A consequência directa foi a diminuição progressiva da robustez dos maxilares e dos dentes...Já não têm que ser robustos para triturar!
Ao Homem já não é necessário o exercício da caça para obter alimentos...a internet apresenta-a, em catálogo e de forma pormenorizada e atraente, previamente esfolada ou depenada, cortada e por vezes já condimentada, bastando escolher, pagar e indicar a morada para a entrega. Felizmente que os ginásios e a actividade física desportiva evitaram a mais do que previsível atrofia muscular subsequente a este facilitismo gradual.
Ao Homem já não são necessárias a ferocidade e a violência física como arma de defesa e de protecção do clã...a brutalidade como praxis enquanto sinónimo de sobrevivência tem vindo a cair, cada vez mais, em desuso. Os jogos de guerra, no computador pessoal, afiguram-se mais ardilosos e emocionantes, salvaguardando a integridade física e o bem-estar.
Os exemplos são infindos!
E o ciclo hormonal, por mais irónico que pareça, também obedece à lei da oferta e da procura. Deste modo, as hormonas masculinas, garantia de uma masculinidade agressiva e brutal, tendem a diminuir de gradiente, por serem menos requisitadas. Até porque, cada vez mais, os conflitos tendem a resolver-se à mesa, ao abrigo de mobiliário ergonómico e confortável, ao alcance de práticos botões o que, por sarcasmo do destino, não é sinónimo, infelizmente, de menor dimensão ou menos gravoso alcance.
Por outro lado, a própria selecção natural, tão defendida por Darwin, para além de assegurar a subsistência do mais forte, por mais apto, pode ser extrapolada para a progressiva eliminação de estruturas menos usadas e de que é exemplo sobejamente conhecido o cóccix, enquanto mais do que provável reminiscência de uma cauda humana.
Mas regressemos a Veronesi que acrescenta que as mulheres também têm produzido menos hormonas femininas... “É o preço que se paga pela evolução natural da espécie, que é positivo porque nasce da busca pela igualdade entre os sexos”.
Tenho que concordar.
Desde que arrancou o avental, abandonou a cozinha, saiu para a modernidade, passou pela praça onde queimou o soutien e entrou, de rompante, nas escolas, nas oficinas, nos escritórios, nos hospitais, nos tribunais, a mulher percebeu que seria necessária uma relativa masculinização, para conseguir sobreviver e manter o novo binómio estatuto/papel que acabou de conquistar e que pretende defender a todo o custo.
Acaba, por isso, de se ver obrigada a esquecer as lágrimas e a sensibilidade supostamente femininas mas também a participar, de forma aparentemente voluntária, numa virilização global.
Também aqui o ciclo hormonal acaba por sofrer alterações e esta actualização da produção acaba por induzir relativa atrofia dos órgãos reprodutivos resultando no que Veronesi apelida “preguiça reprodutiva”, por força da necessidade.
Chiara Simonelli, professora de Sexologia da Universidade La Sapienza, de Roma, alinha pelo mesmo diapasão, justificando este processo como resultante da evolução genética e da mudança de mentalidades, fenómenos interligados.
Estamos, pois, no cerne de mais um processo de evolução, ainda em marcha, o qual prova que, alterações comportamentais e orgânicas, por mais simples que pareçam, estão permanentemente interligadas e exibem um potencial mutacional de extraordinária força.
Perante esta nova realidade, que já está no terreno, muitos serão os defensores, outros tantos os detractores mas penso que, uma vez mais, se cumprirá Galileo Galilei quando, no julgamento promovido pela Igreja, termina afirmando “Et piu si muove”!
Manuel Damas in "O Primeiro de Janeiro" a 9-9-2007

10 comentários:

Patrícia disse...

Oh professor também não é nada convencido? olhe eu quando o conheci nunca tinha ouvido falar de si...aliás foi um "figura" que me deu muito que pensar enquanto você se metia com as minhas meias verde-alface e me dizia que tinha uma camisa daquela cor...e dizia eu para mim mesma..."o mundo está perdido...uma camisa verde-alface?"loool

Manuel Damas disse...

Minha querida...eu não sou conhecido na província...

Patrícia disse...

ah ah ah
o professor anda com umas piadinhas mt básicas...
começando pelas que deixa no meu blog:p e pelas que responde aqui lool

Manuel Damas disse...

Sim...porque eu sou democrata. Tanto lhe bato aqui, como no seu próprio blog!
:P

Patrícia disse...

olhe que eu cá não gosto que me batam lol...CUIDADO COM AS INTERPRETAÇÕES MALÉFICAS :-)

Manuel Damas disse...

Eu também não sou SM...mas a menina, nos últimos tempos, tem parecido!
:)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

Patrícia disse...

tenho?:o não seja mentiroso...levantar falsos testemunhos acerca de alguém é pecado!!!

Manuel Damas disse...

Se revirmos o seu percurso nas últimas semanas...se não é SM...então é mesmo lourice, para não dizer estupidez!
Mas agora parece que, por fim, descobriu o rumo...e o tino! Ainda bem!
:P

Patrícia disse...

isso isso goze...cheira-me que não vão haver gomas para ninguém

Manuel Damas disse...

Eu quero gomas!!!!!!!!!!!!!!!!